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Realidades diferentes

Incongruências

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Autor/Imagem:
Tania Miranda - Foto Francisco Filipino

Embora estejamos todos em um mesmo plano, vivemos realidades diferentes. Por mais próximos que sejamos uns dos outros, nada além de algumas convergências unem as pessoas. Em sua maioria, as linhas de pensamento são tão divergentes que ficamos surpresos por haver um elo de ligação entre elas.

As diferenças, muitas vezes, são gritantes. Ainda assim, graças ao instinto de sobrevivência, as pessoas se unem em volta de um objetivo comum. E procuram, na medida do possível, interagir de forma que todos fiquem satisfeitos com o rumo que sua vida toma.

Cada pessoa tem seu próprio sonho, seus desejos. Que, por motivos vários, não vivencia da maneira que gostaria. Porque os conceitos e preconceitos arraigados em sua alma simplesmente não lhe permite tal ação.

Sim, querer nem sempre é poder. Muitas vezes, devido a convenções sociais, boa parte dos projetos pessoais deve ser esquecidos. Em nome da boa convivência. Em nome de uma reputação a zelar.

Algumas vezes você se projeta nas ações de outra pessoa. Porque ela vivencia exatamente aquilo que você gostaria de experimentar. Não por outro motivo reverenciamos pessoas que endeusamos, devido à sua maneira de viver.

É claro que na maioria das vezes tais percepções não conseguem captar a vida real da pessoa em questão. Porque o que visualizamos é a personagem, não o ser humano que serve de base para esta. Porque aquele sujeito em questão é apenas um cabide, não é quem realmente admiramos… não há de nossa parte nenhum interesse real por este, apenas pela imagem que dele fizemos.

Não precisa ser uma celebridade para chamar nossa atenção. Basta que aparentemente viva a vida que sonhamos. Sim. Olhamos apenas a superfície. E se essa nos parece agradável, é o que nos basta.

Se olhar para os lados, verá mil situações que confirmam essas minhas palavras. Pode até não admitir em voz alta, mas a maioria das pessoas que te cercam te atraem porque, em maior ou menor grau, vivenciam aquilo que você deseja, mas que simplesmente não pode fazer.

Temos mil e uma travas que nos impedem de sermos realmente capazes de usar o livre arbítrio. Porque muito daquilo que desejamos pode não ser benéfico para o grupo como um todo. E nesse caldo de ideias tão conflitantes, o grupo é sempre a prioridade, porque ele é que mantém certa ordem no caos.

Certo, nem sempre o grupo segue uma linha condizente com nossas convicções. Mas, como já diz o ditado, “a maioria ganha”. Mesmo que essa “maioria” se refira a meia dúzia de pensantes que tem o controle da massa. Pois no final, somos isso. Massa de manobra.

Quando nosso pensamento diverge do consenso da maioria, somos instados a repensar nossas ações. Porque, como já disse, o indivíduo não importa. O que conta no final é o bem-estar do grupo como um todo… pelo menos, deveria ser assim.

No final, apesar de cada pessoa viver sua própria realidade, esta é obrigada a interagir com outras. Porque “uma andorinha só não faz verão”. Necessitamos da ajuda de nossos semelhantes, pois somente assim conseguimos seguir rumo ao nosso objetivo. Que nem sempre corresponde ao das pessoas ao nosso lado. Mas assim é a vida. Um passo por vez, em direção à Luz do Sol. Que deveria ser para todos. Mas nem sempre o é…

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