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PF

Investigação e a ausência de materialidade

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@donairene13 - Divulgação

A investigação envolvendo Lulinha aponta três tentativas frustradas de fechar negócios com o Ministério da Saúde. Segundo informações atribuídas à Polícia Federal, houve tratativas envolvendo uma possível venda de R$ 627 milhões em produtos à base de canabidiol, além de testes para dengue e um projeto em parceria com um laboratório de Goiás. Os investigados negam irregularidades e reclamam do vazamento de informações. O próprio Ministério da Saúde afirma que nenhuma dessas negociações avançou.

A essa altura, fica difícil não perceber que os vazamentos sobre a investigação parecem seletivos. Trechos e informações são divulgados de forma a produzir manchetes e suspeitas, muitas vezes antes que exista uma conclusão concreta sobre os fatos. Isso cria no público a impressão de culpa antes mesmo de qualquer comprovação.

Mas o ponto que mais chama atenção até agora é justamente a ausência de materialidade. Nenhum dos contratos citados foi efetivamente fechado e, pelas informações divulgadas, ainda não está demonstrado qual crime teria sido praticado nessas tratativas. Investigar é necessário, inclusive quando os fatos envolvem familiares do presidente da República. Mas investigação não pode ser confundida com condenação, e suspeitas precisam ser sustentadas por provas e por uma conduta efetivamente prevista como crime.

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