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Dois contra um

Irã joga Oriente à beira de fogo incontrolável

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Antônio Albuquerque - Foto Reprodução/Sputniknews

O domingo, 1º de março, amanheceu sob o som de sirenes, explosões e alertas marítimos no Oriente Médio. A escalada entre Irã, Israel e Estados Unidos entrou em uma fase que já não pode ser classificada apenas como “troca de ataques pontuais”. O que se vê agora é um conflito com potencial de redesenhar o equilíbrio geopolítico da região — e de impactar diretamente a economia global.

O afundamento de um petroleiro que tentava atravessar o Estreito de Ormuz elevou o conflito a outro patamar. Por ali passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Não se trata apenas de uma rota marítima: é a artéria energética do planeta.

A decisão da MSC — maior empresa de navegação do mundo — de ordenar que seus navios busquem portos seguros é um termômetro do risco. Outras companhias seguiram o mesmo caminho. O reflexo imediato é previsível: disparada nos seguros marítimos, alta no preço do petróleo e temor de desabastecimento em cadeias produtivas dependentes do transporte pelo Golfo.

Se o Irã optar por bloquear ou tornar intransitável o estreito, a guerra deixará de ser regional. Passará a ser econômica e, consequentemente, e global.

Em território israelense, ao menos 12 mortos foram registrados após ataques com mísseis. O governo de Benjamin Netanyahu já sinalizou que responderá “com força total”. Israel tem capacidade militar para ampliar o conflito.

Ao mesmo tempo, bases associadas às Forças Armadas dos Estados Unidos na região foram alvo de mísseis iranianos, segundo agências internacionais, inclusive em países como Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã.

O cálculo de Teerã parece claro, ao pretender pressionar Washington por meio de seus aliados regionais, elevando o custo político e militar de qualquer ofensiva direta contra o regime.

Até aqui, o Oriente Médio vinha convivendo com guerras indiretas, milícias financiadas e ataques calibrados para evitar confronto aberto entre grandes potências. O que muda neste domingo é o grau de exposição. O Irã deixa de atuar apenas por intermediários e assume protagonismo direto.

Se os Estados Unidos responderem com ataques massivos ao território iraniano, o conflito poderá envolver o fechamento definitivo do Estreito de Ormuz, ataques a infraestrutura energética, ampliação da participação de aliados como Rússia ou China no tabuleiro diplomático e, para ampliar a fogueira, uma nova onda de instabilidade em países já frágeis da região.

Erro de cálculo
Guerras regionais costumam escalar menos por estratégia e mais por erro de cálculo. Pode ser um míssil que atinge civis além do previsto, um ataque que provoca mortes de soldados americanos em número elevado ou uma retaliação mais ampla do que o esperado.

Neste cenário, qualquer movimento pode romper a linha invisível que separa a dissuasão da guerra aberta. Os impactos globais serão imediatos:

Energia – Petróleo e gás sobem, pressionando inflação mundial.

Mercados – Bolsas reagem com volatilidade; ativos de risco perdem valor.

Logística – Rotas alternativas aumentam custos e tempo de entrega.

Diplomacia – Conselho de Segurança da ONU sob pressão, com possíveis vetos cruzados.

Temor mundial
O que está em jogo não é apenas a rivalidade histórica entre Irã e Israel, nem o embate estratégico entre Teerã e Washington. O que se desenha é a possibilidade de uma conflagração que combine guerra convencional, ataques assimétricos, crise energética e disputa entre grandes potências.

O Oriente Médio já foi chamado de barril de pólvora. Neste domingo, parece mais uma fogueira alimentada por decisões que podem sair do controle.

A pergunta que paira não é se haverá retaliação, porque ela já está em curso. A dúvida é até onde os líderes envolvidos estarão dispostos a ir antes que a guerra deixe de ser regional e passe a ser um problema de todo o planeta.

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