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Caso delicado

Jofre, policial das antigas, dá o bote na hora certa

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Autor/Imagem:
Eduardo Martínez - Foto Produção Irene Araújo

Jofre, policial das antigas, gostava de uma farra. No entanto, por conta da escala de plantão, estava de serviço justamente naquele sábado, que prometia ser dos mais badalados em uma capital nordestina conhecida por sua inebriante magia. Àquela hora da noite, já era possível escutar ao longe o chamativo som do forró, o que fez com que o homem ficasse ainda mais agitado na delegacia.

Quase onze da noite, uma mulher de lá seus 35 anos entrou no recinto para registrar um boletim de ocorrência. Foi atendida pelo Santino, cujos dias de polícia ainda não somavam dois meses. O rapaz, quase um frangote, estava embevecido pelo sonho de fazer parte daquela classe de homens da lei. Pois é, homens da lei!

— Meu marido saiu de casa ontem à noite e até agora não retornou. Estou preocupada, ele nunca fez isso.

— Qual é o nome dele?

— Juliano Borges dos Reis.

Enquanto Santino catava milho no teclado, Jofre se aproximou e perguntou qual era a situação. Assim que ouviu a explicação, o antigão, sem se preocupar se causaria desconforto na mulher, abriu aquele sorrisão.

— Já sei pra onde esses maridos que não voltam pra casa vão.

Santino e a mulher olharam para o experiente cana, certos de que receberiam uma resposta. Mas nada. Jofre apenas se virou para o policial novinho e ordenou que ele pegasse as chaves da viatura. Logo, Santino ao volante, Jofre ao lado e a mulher no banco de trás, saíram da delegacia.

— Pra onde, Jofre?

— Pro Baião de Dois.

Sem perda de tempo, Santino pisou fundo no acelerador e, em menos de 20 minutos, estacionou em frente ao famoso bar. O local estava apinhado, o forró comendo solto. Jofre, com a fotografia do desaparecido em mãos, mandou que o colega e a esposa do sumido ficassem no carro, enquanto ele, destemido policial que era, iria averiguar o local.

Quase meia hora depois, nada do Jofre voltar. Santino, preocupado com a segurança do parceiro, falou para a mulher aguardar na viatura. Era a primeira vez que o jovem policial enfrentaria uma situação perigosa ou, no mínimo, delicada.

E lá foi o novinho, empertigado que nem pescoço de girafa, mão sobre a arma para caso de necessidade. Assim que pisou no salão do bar Baião de Dois, Santino se sentiu atordoado pela música e por tantos corpos suados ao redor. Totalmente perdido, mas decidido a encontrar o amigo, embrenhou-se que nem desbravador por aquela turba.

Olha daqui, olha dali, eis que, de repente, Santino se depara com uma cena inusitada. Lá estava o arrojado Jofre, caneca de cerveja em uma das mãos, cigarro na outra, dançando colado a duas belas damas. O novinho, apesar de inexperiente, achou melhor não se intrometer, pois imaginou que o colega estivesse fazendo uso de alguma sofisticada técnica de investigação.

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