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Águas Lindas - GO

Justiça de Goiás arquiva investigação sobre a morte de Lázaro Barbosa

Publicado

Autor/Imagem:
Malu Oliveira - Foto Reprodução

O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) determinou o arquivamento de mais uma investigação central relacionada ao caso de Lázaro Barbosa. A decisão judicial foca especificamente nas perícias realizadas após a morte do criminoso, ocorrida durante um confronto armado com a Polícia Militar em Águas Lindas de Goiás, encerrando um capítulo jurídico sobre o desfecho da caçada humana que mobilizou o país.

A morte de Lázaro aconteceu em 28 de junho de 2021, pondo fim a uma fuga que durou 20 dias na região de Cocalzinho de Goiás. Na ocasião, o inquérito concluído pela Polícia Civil apresentava lacunas que levaram o Ministério Público a devolver o documento no final de 2025, alegando a ausência de “informações indispensáveis” para o encerramento formal do caso.

Segundo dados do tribunal, houve movimentações processuais recentes referentes aos laudos das armas de fogo e ao confronto microbalístico. Esses exames são fundamentais para detalhar a dinâmica do tiroteio, mas, conforme o entendimento atual das autoridades, não foram suficientes para sustentar a continuidade da ação penal ou investigativa neste momento.

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) fundamentou o pedido de arquivamento afirmando que os fatos já haviam sido devidamente apurados em um inquérito específico da Polícia Militar. A própria instituição militar já havia sugerido o encerramento das apurações, entendimento que foi agora ratificado pelo órgão judicial competente.

A decisão destaca que não existem elementos novos que justifiquem o prosseguimento das diligências. Entretanto, a Justiça ressaltou uma ressalva importante: o processo poderá ser reaberto a qualquer momento, caso surjam provas inéditas que tragam luz sobre as circunstâncias exatas da morte do fugitivo.

O histórico do dia do confronto aponta que Lázaro foi localizado em uma área de mata densa com o auxílio de helicópteros. Segundo os relatos oficiais dos policiais envolvidos na operação, o criminoso teria iniciado os disparos contra os servidores públicos, que revidaram a agressão para neutralizar a ameaça iminente.

Registros do boletim de ocorrência da época citam que os policiais efetuaram cerca de 125 disparos durante a ação final. Lázaro, que tinha 32 anos na época, era o alvo principal de uma força-tarefa composta por cerca de 300 agentes de segurança, que utilizaram drones, cães farejadores e até cavalaria para localizá-lo.

O criminoso possuía um histórico extenso de violência, sendo o principal suspeito da “Chacina de Ceilândia”, onde quatro pessoas de uma mesma família foram assassinadas. Sua ficha criminal incluía crimes de estupro, roubo e homicídios qualificados, espalhando terror por diversas fazendas e comunidades rurais do Centro-Oeste.

As investigações apontam que, durante os 20 dias de fuga, Lázaro invadiu ao menos 11 propriedades rurais, baleando moradores e membros das forças de segurança, incluindo um oficial da Força Aérea Brasileira (FAB). A complexidade da operação foi agravada pela habilidade do suspeito em se esconder em ambientes de mata fechada e grutas.

O perfil psicológico de Lázaro, traçado ainda em 2013 quando esteve preso no Complexo Penitenciário da Papuda, descrevia-o como um “psicopata imprevisível”. O laudo apontava características de agressividade, impulsividade e uma notável falta de equilíbrio emocional, fatores que explicavam a periculosidade de suas ações em liberdade.

A trajetória de Lázaro no sistema prisional foi marcada por sucessivas prisões e fugas. Desde seu primeiro registro em 2007, na Bahia, por duplo homicídio, ele conseguiu escapar de unidades prisionais diversas vezes, permanecendo como foragido em diferentes períodos ao longo de mais de uma década.

Antes da chacina de 2021, Lázaro já havia cometido crimes brutais, como o ataque a uma residência no Sol Nascente, onde estuprou uma mulher após trancar sua família. Em outra ocasião, fez moradores reféns e os obrigou a cozinhar e servir um jantar enquanto os mantinha sob ameaça de armas de fogo e facas.

Durante a caçada em Cocalzinho, a tensão tomou conta da população local. Relatos de moradores que dormiam dentro de carros em frente às bases policiais e denúncias constantes de avistamentos mostravam o impacto social causado pela presença do fugitivo, que contava, inclusive, com a ajuda de terceiros para se esconder.

O arquivamento agora decretado pela Justiça encerra a análise sobre a conduta policial no momento da morte, mas deixa um rastro de dúvidas para parte da opinião pública. A perícia da droga apreendida e os exames microbalísticos permanecem arquivados, servindo apenas como registro histórico de um dos casos mais midiáticos da segurança pública brasileira.

Com a decisão, o Caso Lázaro entra em um estágio de dormência jurídica. Embora a investigação policial tenha sido encerrada sem uma conclusão que esgotasse todas as perícias, o sistema judiciário considera que os recursos de apuração foram exauridos dentro das possibilidades atuais, mantendo o caso arquivado até que o tempo ou novos fatos tragam mudanças.

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