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Caso do chiclete

Justiça torna Pedro Turra réu por homicídio e aponta padrão violento

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Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto de Arquivo

A Justiça do Distrito Federal aceitou a denúncia do Ministério Público contra o ex-piloto Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, tornando-o réu pelo homicídio de Rodrigo Castanheira, de 16 anos. Ao proferir a decisão, o juiz André Silva Ribeiro destacou que o histórico do acusado revela um “padrão de comportamento violento”, o que justifica a manutenção de sua prisão preventiva para garantir a ordem pública e a instrução do processo.

Para o magistrado, a liberdade de Turra representaria um risco, uma vez que ele já responde por outros episódios recentes de agressividade. Entre os registros citados estão uma briga em uma praça de Águas Claras em 2025, uma agressão no trânsito contra um homem de 49 anos e a grave denúncia de uma jovem que afirma ter sido torturada pelo ex-piloto com o uso de um taser (arma de choque).

Além do histórico agressivo, a decisão judicial aponta indícios de uma tentativa de “alinhamento de narrativas” entre o réu e testemunhas para obstruir o trabalho da Polícia Civil do Distrito Federal. Segundo o juiz, essa disposição para interferir nas investigações compromete a busca pela verdade real, reforçando a necessidade de manter o acusado sob custódia no Complexo Penitenciário da Papuda.

Um dos pontos de suspeita sobre a manipulação do caso envolve depoimentos de amigos de Pedro Turra. Eles afirmaram à polícia que a vítima, Rodrigo Castanheira, estaria manuseando um “canivete” momentos antes da agressão. No entanto, o item não foi visualizado em nenhuma das imagens de câmeras de segurança analisadas pelos investigadores, sugerindo uma possível estratégia de defesa combinada.

O crime ocorreu no dia 23 de janeiro, em Vicente Pires, quando Pedro agrediu o adolescente com um soco que resultou em traumatismo craniano. Rodrigo permaneceu internado em estado gravíssimo por 16 dias, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu. Com o óbito, o Ministério Público reclassificou a acusação de lesão corporal gravíssima para homicídio doloso, quando há intenção ou assunção do risco de matar.

O Ministério Público argumenta que o ex-piloto foi ao local do incidente com a intenção deliberada de iniciar uma briga. Além da condenação criminal, o órgão pede que Pedro Turra seja condenado a pagar uma indenização de R$ 400 mil por danos morais à família da vítima, como forma de reparação pelo impacto devastador causado pela perda do jovem.

Atualmente, o processo entra na fase de apresentação de defesa e produção de provas antes do julgamento final. Recentemente, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) negou um pedido de habeas corpus impetrado pela defesa do réu, mantendo a decisão de que ele deve aguardar a sentença detido no Centro de Detenção Provisória (CDP).

Enquanto a defesa de Pedro Turra optou por não se manifestar sobre os detalhes da denúncia, os advogados da família de Rodrigo Castanheira reiteram que o soco desferido foi a causa direta e única da morte. A Polícia Civil aguarda agora novas análises do Instituto Médico Legal (IML) para consolidar os laudos periciais que farão parte do corpo de evidências no tribunal.

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