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Bombas do juízo final

Kim mostra força e diz que Ocidente precisa temer a Coreia

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Autor/Imagem:
Antônio Albuquerque - Foto de Arquivo

Sob o peso de um planeta que parece viver em estado contínuo de conflito, a Coreia do Norte voltou a exibir sua força militar. O líder do país, Kim Jong-un, acompanhou a apresentação oficial de um novo lançador múltiplo de foguetes com capacidade para disparar ogivas nucleares em direção ao Sul, segundo informou a imprensa estatal nesta quarta-feira (18).

Durante a cerimônia, Kim descreveu o sistema como algo sem equivalente no mundo e afirmou que o armamento funciona como instrumento de “dissuasão” contra inimigos não nomeados — uma mensagem implícita que ecoa as tensões históricas na península coreana e o delicado equilíbrio geopolítico global.

De acordo com a agência estatal KCNA, o líder classificou o equipamento como adequado para um “ataque especial”, expressão frequentemente associada ao emprego de armas nucleares. Em tom solene, declarou que, se utilizado, “nenhuma força poderá esperar a proteção de Deus”, chamando o novo sistema de “arma maravilhosa” — palavras que ampliam a sensação de incerteza em um cenário internacional já marcado por disputas militares e rivalidades estratégicas.

Nos últimos anos, Pyongyang intensificou testes de mísseis e demonstrações de poder bélico. No mês passado, após visita de Kim a uma fábrica de foguetes, autoridades e analistas sul-coreanos alertaram que os equipamentos poderiam ser direcionados contra a Coreia do Sul, principal adversária do regime do Norte.

Ainda recentemente, o governo norte-coreano afirmou ter abatido um drone de vigilância sul-coreano, episódio que ameaçou comprometer as tentativas do presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, de reduzir tensões e reaproximar os dois países. Em meio a esse ambiente frágil, Kim Yo-jong, irmã do líder norte-coreano, declarou valorizar a promessa de Seul de impedir novas incursões semelhantes.

Para analistas internacionais, a escalada armamentista de Pyongyang busca ampliar a precisão de ataque do país, desafiar diretamente Estados Unidos e Coreia do Sul e, possivelmente, testar sistemas que poderiam ser exportados para aliados como a Rússia. Em um mundo já atravessado por guerras abertas e disputas silenciosas, cada novo anúncio militar ressoa não apenas como demonstração de poder, mas como lembrança inquietante da proximidade constante do conflito.

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