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Águas Claras

Lá vem Maninha, trocando a Bahia pelo dominó

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Autor/Imagem:
José Seabra - Foto Acervo Pessoal

Há pessoas que viajam para descansar, e outras para esquecer. Algumas, mais afortunadas, simplesmente carregam consigo aquilo que procuram encontrar pelo caminho. Bianca Ribeiro parece pertencer a essa última categoria; onde chega, leva na bagagem uma espécie particular de alegria, e onde fica, mesmo que por poucos dias, deixa um pouco dela.

Não foi por estresse que resolveu dar uma escapadinha de Brasília. Pelo menos é o que dizem. Talvez tenha sido culpa da secura quase desértica que toma conta do Planalto Central nesta época do ano, quando os ipês florescem enquanto nossos narizes imploram por misericórdia. Ou talvez Bianca apenas tenha ouvido aquele chamado irresistível que, de vez em quando, vem do mar. E lá foi ela.

Deixou temporariamente a 205/206 de Águas Claras, abandonou por alguns dias as pedras do dominó e trocou o barulho seco das peças sobre a mesa pelo murmúrio das ondas no litoral baiano. Foi uma troca justa – para a Bahia, naturalmente, porque Brasília ficou alguns graus menos iluminada.

Bianca é a nossa Maninha do Clube do Dominó. E quem conhece aquela confraria sabe que o título não é pequeno. Ali, entre provocações, gargalhadas, estratégias mirabolantes e pedras batidas sobre a mesa com solenidade de decreto presidencial, ela construiu seu território. Há noites em que vence, outras em que permite que os outros pensem que podem vencer e há aquelas em que simplesmente se levanta da mesa carregando nos olhos u troféu invisível reservado aos campeões, mostrando que a noite valeu a pena.

Foi essa mesma Bianca que desembarcou no litoral baiano. Contam – e não me peçam provas porque certas verdades ficam melhores quando envolvidas pelo exagero poético – que, quando Maninha chegou à praia, o Sol ficou desconfiado. Mesmo porque, concorrência é concorrência.

Ela caminhou pela areia distribuindo graça e beleza com a naturalidade de quem não percebe os olhares que provoca. O vento bagunçou seus cabelos, o mar veio beijar seus pés e, por alguns instantes, até o horizonte pareceu se ajeitar para caber melhor na fotografia.

Dizem ainda que seus olhos brilharam tanto que o velho astro-rei, soberano absoluto daquele pedaço da Bahia, considerou seriamente pedir aposentadoria. Não pediu, mas deve ter diminuído um pouco a intensidade.

E assim Bianca passou alguns dias entre mar, brisa, sol e com uma preguiça maravilhosa que só o litoral sabe oferecer. Deixou os pensamentos mergulharem em água salgada, permitiu que as preocupações fossem carregadas pela maré e colocou os neurônios para tomar banho de mar. Voltou revitalizada, um pouco bronzeada e certamente perigosa para os adversários do dominó, porque descanso também é treinamento.

E quando Maninha novamente atravessar as portas do nosso pequeno universo da 205/206, as pedras deverão tremer discretamente dentro da caixa. Afinal, estará de volta aquela mulher que transforma uma simples reunião de amigos em celebração e que ajuda a fazer daquele cantinho de Águas Claras algo parecido com um pedacinho do Paraíso.

Bianca está entrando naquela fase deliciosa da vida em que a juventude já aprendeu algumas coisas com o tempo, mas o tempo ainda não conseguiu convencer a juventude a ir embora. Ele aproxima-se dos “enta” devagar, sem nenhuma pressa. Uma jovem senhora quase madura, dessas frutas bonitas que o tempo adoça antes de permitir que sejam colhidas.

Mas cuidado com a metáfora, porque Bianca não é fruta para qualquer cesta. Ela é daquelas raridades que devem permanecer no pé até o instante certo, tomando sol, recebendo chuva, enfrentando ventos e ficando cada vez mais saborosamente dona de si. Talvez seja esse o segredo de Maninha de não precisar procurar o Paraíso. Trouxe um da magia nos olhos, outro tanto no sorriso e certamente algumas doses escondidas na mala.

O restante já estava aqui, na 205/206. Entre amigos, risadas, histórias e pedras de dominó espalhadas sobre uma mesa. Porque existem pessoas que moram em determinados lugares e há aquelas, como Bianca Ribeiro, que fazem o lugar ficar melhor simplesmente porque estão nele.

Bem-vinda de volta, Maninha, e prepare as pedras, porque o Paraíso de Águas Claras estava sentindo sua falta.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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