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Capitão no xilindró

Lambança de Alcolumbre crava porco na cabeça no jogo da CPMI

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Autor/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto de Arquivo/Valter Campanato - ABr

Criada com um objetivo e concluída com outro, a CPMI dos Atos Golpistas parece aquela história do bêbado metido a besta em festa de bacana. Depois de quatro copadas de caipirinha e duas ou três pratadas de torresmo com pele e tudo, o sujeito começou a sentir os efeitos intestinais.

Com vergonha de forrar o banheiro da madame anfitriã de porcaria (tudo a ver com o toucinho suíno), o pobre coitado enfeitado de patriota e, às vezes de defensor de tirano, preferiu soltar um traquezinho no canto da ampla sala.

O resultado foi o mesmo do governo que defendeu até a prisão: merda para todo lado. Achando que ninguém havia percebido, o bebum esgueirou-se pelos cantos e buscou sair pela tangente. Não deu certo.

Descoberto ainda na sala de estar, optou por sugerir uma comissão para tentar incriminar a cozinheira, a dona que fritou os torresmos. A conclusão foi a lógica: o que é um punzinho para quem está todo cagado. Se der certo, eu si consagro. Se der errado, eu si lasco.

Transportando os cálculos mal feitos para o Congresso, também não deu certo. Mais do que a estultice dos oposicionistas que resolveram seguir a máxima do cagão, ninguém contava com a astúcia dos governistas (na verdade dos defensores da correção), particularmente com a temperança e a coragem da senadora Eliziane Gama (PSD-MA), autora do magistral texto que concluiu pelo indiciamento de 61 pessoas, entre elas o fujão da festa da madame.

Peça que certamente será embalsamada para a eternidade da República, o relatório aprovado por maioria de votos também vai arder durante longo tempo nos anais dos envolvidos na tentativa do golpe de 8 de janeiro, quando as sedes dos Três poderes foram vandalizadas. As informações e provas colhidas pela parlamentar maranhense serão analisadas pelo Ministério Público Federal e, caso acatados os pedidos de indiciamento, todos viram réus. Aí, será com a mamãe Justiça.

A exemplo do camarada que se obrou antes dos finalmente, o povo extremado, o que defendeu o golpe, sequer teve oportunidade de apresentar seus relatórios culpando o governo Lula pela barbárie de janeiro, objetivo inicial e final dos cagões e de seus seguidores. Até o tucano Izalci Lucas (DF) perdeu as asas e a chance de cutucar Luiz Inácio. Mais uma vez, dez a zero para o governo Lula.

Vale registrar que o termo que é sinônimo de porcaria não é meu. Foi o próprio chefe da turba quem o cunhou durante uma outra CPI, a da Covid: “Caguei para a CPI. Não vou responder nada”. Realmente o líder 17 que já foi 22 não respondeu e, por ela e por outras, hoje é um morto vivo e bem próximo do temerário 171.

Como bem pontuou um amigo antigo das redações, os números são um belo palpite para um terno de grupo na contravenção inventada pelo Barão de Drummond. Como o bicho vai pegar, a dezena 17 (macaco) lembra as macaquices das motociatas e dos jet skis. Já o 22 (tigre) tem a ver com a voracidade dos golpistas pelo poder. Por fim, o 171 (porco) remete ao período em que o mito se lambuzava com frango e farofa pelas ruas das principais capitais do país.

Como não sou craque nesse tipo de aposta, prefiro cravar a fezinha que poucos duvidam: é xilindró na cabeça. Surpreendente para alguns, na medida em que a CPMI foi requerida pelos opositores de Lula, o texto conclusivo não deixa dúvidas de que vivemos tempos mais modernos. Foram 20 votos favoráveis e 11 contrários. O melhor das 1.333 páginas do relatório de Eliziane Gama é o indiciamento da trupe de militares de alta patente, todos bajuladores eméritos do ex-presidente que sabiam de antemão ser um zero à direita.

Generais, almirantes, coronéis, deputados e policiais federais e rodoviários federais, além do chefe supremo, foram delatados pelo tenente-coronel Mauro Cid e punidos pela avalanche de provas que eles mesmos produziram.

E não podia ser diferente. O pai de família que surrupia um iogurte para o filho passa por situações muito piores. Os patriotas soltos não perdem por esperar. O mais curioso da conclusão da comissão que resultou no tiro do pé da oposição foi a estratégia do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ex-presidente do Senado e do Congresso. Em campanha para substituir Rodrigo Pacheco (PSD-MG) na presidência da Casa, Alcolumbre, supostamente governista, deu uma de João sem braço.

A dois passos da sala onde se votava o relatório de Eliziane Gama, ele se escondeu no banheiro, não atendeu aos numerosos chamamentos e, por receio de se indispor com os bolsonaristas, não engrossou a lista do governo contra a barbárie. Seu gesto lembrou uma esfinge, os seres mitológicos com corpo de leão e rosto humano. Enquanto lulistas e bolsonaristas brigam, Alcolumbre esfinge que apoia.

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