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Esperando a chuva

Limpeza de bueiros pode evitar inundações

Publicado

Autor/Imagem:
Renata Moura e Daniela Brito

Lugar de lixo é na lixeira. Muitas pessoas, entretanto, ainda descartam sacolas plásticas, embalagens, copos descartáveis, latinhas e outros objetos pelas ruas das cidades. O resultado desse comportamento é milhares de bueiros entupidos. Servidores da Diretoria de Urbanização da Novacap, empresa responsável por esse serviço, alertam que há algumas bocas de lobo com 100% da capacidade de escoamento comprometida.

Para se ter uma ideia da situação, entre janeiro e agosto deste ano, cerca de 23,7 mil toneladas de dejetos foram retiradas de 95.720 bueiros em todas as 33 regiões administrativas do DF. O volume de lixo recolhido equivale ao peso de 3.950 elefantes adultos ou de 132 baleias-azuis, espécie que representa o maior mamífero do mundo.

Para realizar os serviços, foram carregados cerca de 1,2 mil caminhões trucados, cada um com capacidade de transportar até 20 toneladas. Numa média estimada, em todo o período, em cada região administrativa, a sujeira dos bueiros encheu 4,5 caçambas desses veículos.

É preciso colaborar
Segundo o Serviço de Limpeza Urbana (SLU), o volume retirado das bocas de lobo é maior que todo o lixo (residencial e varrição) recolhido em Ceilândia, Taguatinga, Águas Claras, Vicente Pires e Riacho Fundo I, regiões administrativas que, juntas, produzem cerca de 20,4 mil toneladas/mês de material a descartar.

“O lixo vai parar nos bueiros empurrado pelo vento e a chuva, mas, por mais absurdo que possa parecer, tem gente que faz de lá uma lixeira”, relata o chefe da Divisão de Manutenção da Novacap, Lânio Trida. “Há lugares em que a gente passa e deixa tudo limpinho, mas passam dois, três meses, temos de voltar e limpar tudo de novo. A população precisa cooperar.”

Levantamento elaborado pela Nocavap neste ano registrou ainda vários reparos feitos nas redes de águas pluviais. Cerca de 39,9 mil canais foram desobstruídos com a técnica de hidrojateamento, que consiste na aplicação de um jato de água de alta pressão. Outros 263 foram reconstruídos, tendo sido instaladas 457 novas redes.

O trabalho foi reforçado com duas ações importantes do Governo do Distrito Federal: o SOS DF e o GDF Presente. Em oito meses, os dois programas criaram várias frentes de trabalho, envolvendo mais de 300 trabalhadores da Novacap, terceirizados e os socioeducandos do projeto De Mãos Dadas. “Com esses reforços, pudemos ampliar nossa força de trabalho e conseguimos levar os serviços a todos os cantos, principalmente às áreas comerciais onde o acúmulo de lixo espalhado é grande.”

Serviço ampliado
Atenção especial também foi dada aos poços de visita, que são aquelas câmaras com tampas de ferro localizadas no centro das pistas. Mais de 1,7 mil deles foram limpos e outros 526 poços sofreram reparos. “É uma iniciativa importante, porque eles são pontos que utilizamos para fazer a manutenção de toda a rede”, explica Benito Ferreira Júnior, chefe da Divisão de Obras da Novacap.

Ele conta que um trabalho intenso está sendo feito para que o impacto das próximas chuvas seja menor que em anos anteriores. “Ano a ano, temos convivido com tempestades e grandes volumes de água”, lembra o servidor. “A rede é antiga, mas, com certeza, se a população colaborasse com a limpeza das ruas, teríamos menos registros de alagamentos”.

Segundo Benito, mais de 80% dos dejetos retirados dos bueiros são restos de lixo. “Encontramos muitas sacolas, garrafas pet, latas de refrigerante, embalagens. O restante é de sedimentos como areia, folhas e gravetos”. As ações de desobstrução das redes de água pluvial prosseguem em todas as cidades, inclusive no período das chuvas. “Continuaremos com esse trabalho paliativo, principalmente, atendendo às demandas de ouvidoria a comunidade”.

Comportamento
A moradora do Riacho Fundo Nizia Moreira Barbosa, 57 anos, acompanhou parte dos serviços de limpeza de bueiros na QN 8 da região administrativa. “É necessário demais, porque a chuva está chegando e isso aqui fica horrível”, comenta.

A dona de casa conta que nunca joga restos pelas ruas, mas reconhece que muitas pessoas despejam até mesmo o lixo doméstico dentro dos bueiros. “Espero a hora de o caminhão do lixo passar para colocar meu lixo para fora de casa, mas nem todos fazem assim”, aponta.

Nizia Barbosa, moradora do Riacho Fundo: “Espero a hora de o caminhão do lixo passar para colocar meu lixo para fora de casa, mas nem todos fazem assim” | Foto: Lúcio Bernardo Jr / Agência Brasília

O resultado do mau acondicionamento do lixo é grave – se jogado nas ruas, é possível que corra e pare nos bueiros. “Com as chuvas, a água aqui vai até o meio da nossa canela”, conta Edinalva Lopes Santos, também moradora da QN 8. “Os bueiros estavam todos entupidos”.

Edinalva reforça que a comunidade deve evitar deixar o lixo nas portas das residências por muitas horas. “A gente sempre coloca o lixo para fora mais ou menos no horário do recolhimento; se pusermos antes, há o risco de os cachorros revirarem”, dá a dica.

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