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Recorde de audiência

Lula, 50 anos de praia, vence corrida de obstáculos da Globo

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo

Independentemente de minha escolha político-ideológica, mais uma vez assisti Luiz Inácio Lula da Silva sendo deliberadamente empurrado para o banco dos réus. O banco da Rede Globo era virtual, mas ficou claro que, para os entrevistadores, mais importante do que o projeto de reconstrução do país é a intriga e as picuinhas capazes de municiar os concorrentes. Previamente definido, o interrogatório parece não ter atingido os objetivos da emissora, muito menos dos secadores da extrema-direita.

Com 50 anos de praia, Lula da Silva conquistou medalha de ouro na corrida com obstáculos da Rede Globo de Televisão. Candidato a um quarto mandato, o presidente mostrou ao grande público brasileiro que é um craque com as palavras e sábio nas respostas. Por isso, enfrentou, não se intimidou e conseguiu escapar ileso da inquisição a que foi submetido pela direção e pelo jornalismo da Vênus Platinada, a mesma que, por razões que a própria razão desconhece, o tirou do pódio principal em 1989. A história conta e reconta o fato diariamente.

Apesar de qualquer pesar, Lula foi amplamente superior a seus antecessores da gangorra vaselinada da Globo. Pinçado por um outro veículo cuja preferência nacional nunca foi e não é Lula, o mais relevante é que, da série de sabatinas da Globo, a dessa quinta-feira (27) bateu recorde de audiência. Conforme os institutos de pesquisa, a presença de Lula interrompeu a sequência de queda nos índices das entrevistas conduzidas por César Tralli e Renata Vasconcellos.

Faço minhas as palavras daqueles que acham que Lula provou que não se intimida com o jornalismo de tribunal e que tem legado, números e autoridade moral para apresentar ao povo brasileiro. Se realmente havia alguma intenção escusa, a tentativa naufragou. Novamente, a emissora da família Marinho, ao optar pelo clássico constrangimento do entrevistado, deliberado deixou na gaveta o interesse do eleitor, principalmente o indeciso.

Não sei se Tralli e Renata sabem, mas poderiam ter sido informados que o CPF e a identidade de Luiz Inácio são diferentes dos de Lulinha. Acho que se soubessem teriam convocado o filho e não o pai para responder sobre os supostos ilícitos. Diferente do seu principal opositor, Lula disse aos inquisidores que, caso Lulinha, tenha cometido algo ilegal, terá de pagar como qualquer cidadão brasileiro. “Ele não será protegido por ser meu filho”. Ponto final.

Como o Brasil seria diferente se todos fossem iguais. Para a Globo, isso é irrelevante. Tanto que, se a sabatina durasse dois dias, a sequência de acusações e suspeitas buscando estabelecer uma associação direta entre supostos escândalos de Lulinha e o presidente não cessariam. O povo não é mais besta. Prova disso, é a comprovada fuga dos telespectadores da emissora que adorava se apresentar como líder de audiência. Para o bem do país, a armadilha não funcionou.

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