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Etarismo e hipocrisia

Lula, o indigesto 13, é o homem a ser engolido

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Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto de Arquivo/ABr

Como senador da República, Flávio Bolsonaro, o filho 01, é um ótimo carnavalesco. Dizem também que, como carnavalesco, ele é um excelente candidato à Presidência da República. Dividindo e somando, ele é muito bom de trololó, mas péssimo no lá lá lá. Eleito em 2018, o idiossincrático parlamentar é um craque na estereotipação de idosos, na agressão a homossexuais e na apresentação de projetos desnecessários. Ou seja, apresenta, apresenta, apresenta, apresenta e não aprova nada. Na verdade, seus pares rejeitam todos. Para não ser injusto, quase todos. E isso ocorre desde os tempos em que navegou nas águas do Rio de Janeiro, onde foi deputado estadual.

Tal qual o pai que, em 28 anos como deputado federal, apresentou cerca de 170 propostas e só aprovou duas. Entre as asneiras, duas mereceram críticas até de aliados. Uma delas tinha por objetivo inscrever o nome de Enéas Carneiro no Livro dos Heróis da Pátria. A outra tentou sustar o uso de nome social para travestis e transexuais. Nada vezes nada para a classe trabalhadora, tampouco para o crescimento do país. Como presidente da República, qualquer comentário soaria como repetição de coisa alguma.

Prestes a completar oito anos de mandato, até hoje somente uma das propostas do candidato Flávio Bolsonaro mereceu destaque na mídia nacional. Muito menos pelo texto e por sua importância, a proeminência da proposição decorreu do fato de ela quase ter sido usada exatamente contra Jair Bolsonaro, o pai de 01. Trata-se do projeto que veda liberdade provisória a presos em flagrante por crimes hediondos. Autor intelectual do hediondo, mas fracassado golpe de janeiro de 2023, Bolsonaro deveria ter sido preso à época. E em flagrante.

De triste lembrança para os patriotas com firma reconhecida em cartório, só não foi porque, após atiçar fogo no parquinho, fugiu desesperadamente para os Estados Unidos. Por essas e outras, é fácil antecipar a imaginação a respeito do tipo de governo que ele faria caso fosse eleito. Digo faria porque ele não fará, pois, a menos que a maioria do povo brasileiro sofra de amnésia crônica, não se elegerá. A condicional é sua hipotética condição de administrador de alguma coisa pelo menos razoável. Não vale lembrar o gerenciamento de uma loja de chocolates em barra. Usar o mandato como trampolim seria a pior das condicionantes.

Portanto, tudo indica que, como candidato à Presidência da República, a tendência é que o senador acabe desempregado. Fora do mercado político, quem sabe ele tenha tempo para rever seus conceitos sobre o etarismo. Luiz Inácio Lula da Silva pode ser “retrógrado”, “produto vencido” e até um “Opala velho”, mas tem de sobra o que nenhum dos membros da família Bolsonaro conseguiu mostrar até os dias atuais: competência, tato político, empatia com a população, determinação e capacidade de se reinventar no cargo. Tanto que, conforme as pesquisas eleitorais, ele caminha a passos largos para o tetracampeonato.

Não tenho recibo para defender Lula. O que faço é escrever contra a hipocrisia de um parlamentar que se acha acima do bem e do mal. E não é. Pelo contrário. Independentemente de ser um adversário político, não é de bom tom depreciar e ofender um cidadão de 80 anos. Ao contrário do inepto clã que presta um longo desserviço à nação, Lula não é descartável, imprestável, ultrapassado, muito menos intelectualmente obsoleto. Aliás, para os Bolsonaro, detestável é a sapiência, a eloquência e a experiência de Luiz Inácio. Lembrando Zagallo, o homem do 13 para tudo, o indigesto Lula é o homem a ser engolido em 2026.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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