Fora do jogo
Lula pisou feio na bola (é sério) e deixou de receber Putin e Xi Jiping em sua casa
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Foi-se o tempo em que Lula conseguia contrabalançar os problemas domésticos com vitórias na política externa. Agora as duas esferas parecem só trazer dores de cabeça ao governo. Parte disso se deve à pequena relevância do Brasil num cenário internacional cada vez mais dominado por grandes potências.
Assim, o posicionamento de Lula condenando os ataques israelenses ao Irã, por exemplo, não teve qualquer repercussão mundial, mas foi suficiente para despertar a hostilidade da mídia brasileira. Isso mesmo com a postura moderada do governo em relação à Israel, sem promover boicotes ou vetar o dia da amizade proposto pelo Congresso.
Acontece que, com o crescimento dos BRICs e a escalada bélica dos Estados Unidos e da OTAN, o espaço para o Brasil atuar como uma espécie de centrão das relações internacionais se esgotou e o presidente brasileiro titubeia em sair de cima do muro. Por um lado, ele tenta frear a influência de Trump na OEA, mas, por outro, evita também estreitar as relações com Rússia e China.
O sintoma dessa ambiguidade é a pouca atenção dispensada à cúpula dos BRICS, que ocorrerá no Rio de Janeiro e que não contará com a presença de Vladimir Putin e de Xi Jinping, justamente num momento estratégico para o fortalecimento dos fóruns multilaterais. Em compensação, a grande aposta de Lula, a agenda ambiental em torno da COP 30, tem tudo pra ser um fracasso retumbante.
Isso não só devido à especulação dos preços dos hotéis em Belém nas datas do evento, ou à péssima notícia do aumento das queimadas no Brasil ano passado, mas especialmente pela insistência do governo em apostar nos combustíveis fósseis, fazendo um leilão de 34 blocos de exploração de petróleo, 19 deles na bacia da foz do Amazonas.
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O boletim Ponto é produzido por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile para o MST