Mortes em Minas
Lula pode não ser o melhor presidente, mas Zema é um governador incompetente
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Inevitáveis para quem está em evidência, as críticas sempre existirão, independentemente de que o criticado seja a pessoa mais perfeita do mundo ou a mais errada. Quem faz melhor jamais critica. Os críticos são sempre aqueles que não fazem menos ou não fazem nada. Na verdade, quem critica adoraria ser o criticado. Reiterando o que já disse por numerosas vezes, Luiz Inácio Lula da Silva pode não ser – e não é – o melhor presidente que o Brasil e os brasileiros já tiveram. Ele também não é o pior. Muito pelo contrário.
Sem a necessidade de grandes recuos na história, a certeza da maioria esmagadora da população é que ele está a anos luz de Jair Bolsonaro, considerado aqui e no exterior como o pior entre os piores. Portanto, com todo respeito aos bolsonaristas, política e administrativamente não há termo de comparação entre os dois. Recebido como estadista em todo o planeta, um é reconhecidamente e respeitado como um líder regional. Como os homens e mulheres de memória razoável devem lembrar, o outro, avaliado como negacionista de carteirinha, tentou transformar o país em pária internacional. Não conseguiu.
Durante o governo de Bolsonaro, além do isolamento diplomático, nenhuma nação da estatura do Brasil alcançou reputação tão ruim no mundo. Sem listar o famoso imbróglio com as joias árabes, nossa pior imagem mundial é, de longe, a de 20 de setembro de 2021, quando o ex-presidente e comitiva, sem comprovante de vacinação contra a Covid-19, foram obrigados a comer pizza nas ruas de Nova York. Foram gafes e desmantelos públicos e diplomáticos em série.
Apesar de todas as mazelas presidenciais registradas entre janeiro de 2019 e dezembro de 2022, para os bolsonaristas Lula é que o esfarrapado, o desonesto, o trôpego, o jeca e o enganador. Aliás, exigir razões lógicas e honestas do chamado gado a respeito das críticas a Lula da Silva é a mesma coisa que enxugar gelo ou engarrafar fumaça. Antes mesmo da pergunta, a resposta já está pronta. O que fazer contra os que não conseguem tocar, tampouco olhar o próprio rabo. São os que passam a impressão de que acertam sempre.
Se fizessem isso, perceberiam que qualquer presidente anterior a Jair Messias, inclusive Michel Temer, mereceriam a adjetivação de assimilável. Nunca a de descartável. Não tenho acesso ao presidente da República. Se tivesse, o indagaria se seus críticos são referências de sucesso. Se a resposta for não, sugeriria que os ignore. Conforme Sigmund Freud, “Quando não somos capazes de entender alguma coisa, procuramos desvalorizá-las com críticas. É o caminho ideal e mais curto para facilitar a tarefa dos detratores”. Que o diga o governador de Minas Gerais, Romeu Zema.
Aliado da copa e da cozinha de Bolsonaro, Zema é um daqueles que, baseado em sua subserviência política, normalmente descapacita Luiz Inácio, a quem denomina de incompetente. As chuvas e os desmoronamentos na Zona da Mata mineira, notadamente em Ubá e Juiz de Fora, mostraram onde habita a incompetência. Desde 2023, o governo Lula já liberou para o Estado R$ 471,3 milhões para obras contra desastres naturais. Desse valor, o governador gastou R$ 7,6 milhões. O resultado são mais de 50 mortes, 15 desaparecidos e dezenas de desabrigados e desalojados. Infelizmente, é uma repetição do que ocorreu no Rio Grande do Sul em 2024. Dito isto, quem é mesmo o incompetente?