Curta nossa página


Flávio agradece

Lulinha vira pedra no sapato do projeto Lula 4

Publicado

Autor/Imagem:
José Seabra - Foto Reprodução das Redes Sociais/X

A aprovação, pela CPMI do INSS, da quebra dos sigilos fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva pode ser comparada a criatura híbridas, com a metade do instrumento regimental e a outra parte como artefato eleitoral. São as decisões que nascem técnicas e morrem políticas, vistas no papel como procedimento mas que, na prática, são pólvora.

Na quinta, 26, Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, voltou ao noticiário não por vontade própria, mas pela força gravitacional do sobrenome que carrega. E, no Brasil, sobrenome é destino, principalmente quando se chama Lula e o projeto no horizonte atende pelo codinome “Lula 4”.

Não é uma investigação mais aprofundada pela CPMI que assusta, mas o timing. É notório que a Comissão Parlamentar nasceu para investigar rombos no INSS. Mas, como quase sempre acontece na nossa República performática, o foco deslocou-se para o personagem mais rentável da temporada.

Isso não é novidade, uma vez que nossos políticos adoram um palco. Tanto, que o Brasil especializou-se na indústria das CPIs, com a imprensa produzindo manchetes em série, transmitindo discursos inflamados as redes sociais promovendo cortes cirúrgicos. É como se o plenário virasse estúdio, tendo o requerimento como roteiro.

É dentro do cenário traçado para o caminho do projeto Lula 4, que surge uma pedra. Não uma condenação nem sentença, mas apenas uma pedra que promete incomodar a cada passo.

Com esse4 quadro, a oposição não precisa provar nada e sim manter o tema respirando, para que o nome “Lulinha” seja repetido ao lado de palavras como “sigilo”, “quebra”, “investigação”. A estratégia que provoca erosão lenta, desgaste contínuo e dúvida permanente, é conhecida.

Já o Planalto reage como quem conhece o script. Denuncia perseguição, evoca fantasmas do passado, convoca a militância para o front digital, faz seus cálculos e entra no jogo de forma defensiva. O problema é que, enquanto ambos calculam, a imagem presidencial vai sendo testada pela opinião pública, definida como o tribunal mais imprevisível de todos

Para Lula, o projeto de um quarto mandato depende menos de discursos e mais de sensação de estabilidade. O eleitor que decide eleição apertada não é o militante. É o moderado pragmático, que vota pensando em previsibilidade. E previsibilidade, está provado, não combina com noticiário recorrente sobre quebra de sigilo familiar.

Mesmo que a quebra dos sigilos nada prove, deixando de sustentar o imponderável, o ruído já está produzido, corroendo aqui e ali, banalizando um ato excepcional, como a quebra de sigilo, vista como medida extrema, porque exige fundamento sólido, responsabilidade institucional e cautela política.

Mas na República das CPIs, o excepcional virou ferramenta ordinária de embate. Se hoje é o filho do presidente, amanhã pode ser o aliado do adversário, porque o mecanismo de expor, tensionar e explorar, é o mesmo. Tudo porque a política brasileira aprendeu que suspeita rende mais que solução.

É verdade que Lulinha pode não ser o centro do projeto Lula 4. Mas virou um símbolo que pesa. Nesse caso, se a CPMI produzir fatos robustos, o dano será concreto. Se nada disso acontecer, o dano poderá ser simbólico. Mesmo assim, simbologia, em eleição polarizada, vale ouro.

O risco não está apenas no conteúdo do sigilo. Está na permanência do tema na vitrine. Porque campanha moderna não se faz só com programa de governo e sim com percepção de risco. Nessas ocasiões, toda pedra no sapato, por menor que seja, altera o passo de quem caminha para o Planalto.

No Brasil, às vezes, não é a montanha que impede a travessia. É o incômodo constante que faz o viajante perder o ritmo. O que virá pela frente, só o tempo dirá.

…………..

José Seabra é CEO fundador de Notibras

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.