Fiasco de público
Manifestações bolsonaristas amargam números modestos em capitais
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Neste domingo, 1º, manifestações bolsonaristas foram realizadas em diversas capitais do país. Somadas, estima-se que tenham reunido cerca de 25 mil pessoas nas ruas. Um número modesto para quem já foi capaz de mobilizar multidões em diferentes momentos da vida política recente do Brasil. A diferença de escala chama atenção e revela um cenário distinto daquele vivido nos anos mais intensos da polarização. O que antes era apresentado como força popular avassaladora hoje parece enfrentar limites de mobilização.
Talvez parte dessa mudança esteja ligada ao conteúdo das pautas. Defender algo difuso e abstrato pode não ser suficiente para convencer alguém a sair de casa em pleno domingo, abrir mão do descanso e da convivência com a própria família para empunhar cartazes sobre ideias genéricas como “a esquerda destrói a família”. Quando o discurso não se traduz em propostas concretas para melhorar a vida cotidiana (emprego, renda, saúde, educação), ele tende a perder potência. A política precisa dialogar com a realidade concreta das pessoas, não apenas com frases de efeito.
Isso não significa que a direita deixará de ter votos nas próximas eleições. É possível que muitos eleitores ainda optem por esse campo político nas urnas. Mas há uma diferença importante entre votar e se engajar ativamente, entre concordar silenciosamente e ocupar as ruas com disposição e energia. Os números deste domingo sugerem que o apoio concreto, aquele que mobiliza corpos e vozes, vem diminuindo. E, em política, a capacidade de mobilização costuma ser um termômetro do momento que um grupo atravessa.