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Novo faz politica velha

Maria da Penha bate à porta de Eric Gustavo e conta pode ir até Kiko

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Autor/Imagem:
José Seabra - Foto de Arquivo

O som estridente dos fogos de artifício que silenciaram sobre Brasília após a eliminação do Brasil da Copa do Mundo, volta a ser ouvido com força e provocando estilhaços por todo o Distrito Federal. A crise que deixou os gramados para trás se aproxima agora das urnas, entrando pela porta dos fundos. Vem carregando um processo judicial debaixo do braço e fazendo muito barulho.

A explosão foi registrada no partido Novo, e o protagonista da vez é o advogado Eric Gustavo de Góis Silva, pré-candidato a deputado distrital, citado em um caso de violência doméstica que tramita sob a Lei Maria da Penha. A identidade da mulher envolvida é preservada por Notibras, em respeito à sua privacidade.

Os registros do caso apontam denúncias de agressões e a existência de medidas protetivas. Também há referências a procedimentos relacionados ao suposto descumprimento dessas medidas, fatos que integram a investigação e deverão ser apreciados pela Justiça.

O problema, como se vê, deixou de ser apenas jurídico e ganhou contornos políticos. Eric Gustavo construiu sua imagem pública defendendo ética, renovação e os princípios da chamada “nova política”. Mas, como costuma acontecer no Brasil, o discurso encontrou na realidade dos autos um adversário difícil. Na hora de votar, caberá ao eleitor decidir em qual versão acredita – se no  que é dito no palanque ou o que está no processo.

É justamente aí que surge o desconforto para Kiko Caputo. Advogado, ex-presidente da OAB-DF e pré-candidato do Novo ao Governo do Distrito Federal, ele vê a fumaça subir perigosamente perto de seu projeto de suceder Celina Leão (PP) no Palácio do Buriti. É que os dois advogados mantêm proximidade política e profissional, suficiente para que o pavio da crise, riscado o fósforo, atinja também quem pretendia permanecer fora da linha de fogo.

A experiência de uma longa carreira jornalística ensina que em política, solidariedade costuma durar até o primeiro desgaste eleitoral. Depois, instala-se a conhecida síndrome do “cada um por si”. Não surpreende, portanto, que nos bastidores já circulem discussões sobre o futuro de Eric Gustavo dentro da legenda. Integrantes do partido avaliam quais providências poderão ser adotadas, caso as acusações avancem e a crise continue crescendo. Uma delas é sua expulsão sumária.

O dilema do Novo é simples de compreender e difícil de resolver. Um partido que construiu sua identidade em torno da ética e da renovação precisa explicar como lida com um pré-candidato investigado em um caso enquadrado na Lei Maria da Penha. Fingir que nada aconteceu costuma ser uma estratégia eficiente apenas até que a opinião pública descubra que aconteceu.

Se decidir agir, a legenda enfrentará desgaste interno. Se decidir esperar, correrá o risco de parecer conivente. Em qualquer dos cenários, a conta política pode chegar ao principal nome do partido na disputa pelo Buriti.

Até o fechamento desta reportagem, Eric Gustavo não havia se manifestado sobre o caso. O Partido Novo e Kiko Caputo também não haviam informado oficialmente eventual procedimento disciplinar ou qualquer decisão relacionada ao episódio. Notibras, como de praxe, mantém espaço aberto para manifestações de todos os citados.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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