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Neoliberalismo amargo

Máscara do dólar poderoso dá sinais de queda geral

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Foto/Imagem:
Pedro Augusto Pinho/Via Pátria Latina - Foto de Arquivo

Se adotarmos o Consenso de Washington como a certidão de nascimento, neste último novembro completaram-se 32 anos do Poder Financeiro dominando a grande maioria das nações, especialmente as denominadas do mundo ocidental.

E o que vemos? Sob diversas formas de manifestação, o imenso descontentamento das sociedades. E principalmente devido ao aumento da miséria, do desemprego, da insegurança da vida, e a fome e morte por toda parte. O Brasil, como exemplo, voltou ao mapa da fome e os países da África nela afundam.

E quanto mais democráticos são os países, mais se revelam as repulsas ao neoliberalismo, ao financismo; ou nas eleições, em que partidos e lideranças de esquerda, que desde 1990 se colocaram contra o neoliberalismo e o financismo, são vencedores, ou nos protestos que tomam as ruas de suas cidades, como vêm acontecendo na França com os coletes amarelos, ocultos pela dominante imprensa corrompida que, no caso das eleições, ainda as acusam de fraudadas.

Isto aconteceu recentemente na Nicarágua, com a vitória da Daniel Ortega, e na Venezuela, país que mais realizou consultas populares desde que Hugo Chávez foi pela primeira vez eleito, em 1998, elegendo na última escolha, em novembro/2021, os candidatos apoiados por Nicolás Maduro para governar 20 das 23 províncias (estados).

Mas há algo muito danoso, prejudicando mais severamente as sociedades, que a mídia dominada pelos capitais apátridas residentes nos 85 paraísos fiscais, distribuídos pelo planeta, faz questão de difundir, sempre na perspectiva das finanças, com seu viés antipopular. São as questões ambientais e identitárias.

Desde o início da luta pela reconquista do poder, ainda antes da II Grande Guerra, as finanças já haviam se associado e desfigurado a questão ambiental, pois lutando contra a poluição abria-se uma enorme estrada para combater a industrialização, que assumira o poder no mundo, quer capitalista, com os Estado Unidos da América (EUA), quer socialista, com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

Iniciemos então pela questão ambiental. Ela é, na maior amplitude, no máximo, uma questão regional, nunca planetária. Mas ela é, principalmente, uma questão nacional.

Não é minimamente razoável tratar os países do SAHEL, que são: Gâmbia, Senegal, Mauritânia, Mali, Burquina Fasso, Níger, a parte da Argélia, Níger e da Nigéria, Camarões, Chade, Sudão, Sudão do Sul e Eritreia, e também se pode incluir Etiópia, Djibuti e Somália, cuja mais premente questão ambiental é a desertificação, com os problemas ambientais centro e sul-americanos, onde são abundantes áreas com florestas, rios e montanhas.

Iniciando divulgamos o que nenhuma imprensa ocidental o faz: que a República Popular da China está investindo 75 bilhões de dólares em projetos onde estão o de reflorestamento de toda margem sul do deserto do Sahara, objetivando a proteção dos países do Sahel.

Quem na área da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que tanto agride os povos do mundo subdesenvolvido exigindo respostas a questões ambientais, aplica seus recursos financeiros, muito mais abundantes, em tão meritório empreendimento ou outro similar?

O recém-eleito dirigente da Alemanha, Olaf Scholz, do Partido Social Democrata, em coligação com os Verdes e com o Partido Democrático Liberal, tem o rigor das contas – primeiro mandamento das leis do Consenso de Washington – como base da junção governante, ao lado da luta contra a pandemia.

Mas a imprensa neoliberal destaca a proteção do clima, tentando impulsionar investimentos em novas tecnologias prevendo deixar o carvão em 2030, oito anos antes do previsto, e acelerar a transição para carros elétricos. Também a “agenda modernizante”, incrementando direitos LGBT, legalização das drogas e desburocratização dos serviços públicos.

Traduzindo os projetos mediáticos
Vamos traduzir estes projetos midiáticos, pois a realidade para vida dos alemães logo chegará e os protestos encherão as ruas das cidades germânicas.

Iniciemos pela falácia energética. A Alemanha é o país que mais consome energia na Europa, o que está coerente com seu desempenho industrial. Do total dos 77,15 exajoules consumidos na Europa, excluídos os países da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), a Alemanha colaborou em 2020 com 12,11, ou seja, 16%, quase o dobro do Reino Unido, o segundo colocado, com 6,89 exajoules. No detalhamento deste consumo, fica ainda mais evidente que a Alemanha não pode dispensar os fósseis (petróleo, gás natural e carvão) que representam 76% de sua matriz energética (9,17 exajoules).

Uma versão é o desejo das mídias, das campanhas, das ilusões que são provocadas nas pessoas, às quais se contrapõe a dura realidade; se a Alemanha dispensar o carvão, o gás natural, o petróleo descerá ao padrão do subdesenvolvimento centro e sul-americano, cujo consumo total de energia, em 2020, foi 26,19 exajoules, aí computados Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Venezuela e toda América Central. Mais próximo ainda do africano, 18,58 exajoules, incluídos África do Sul, Argélia, Egito e Marrocos.

Desburocratização
O que significa desburocratização dos serviços públicos? Sua privatização. Nem mesmo tiveram o pudor de reconhecer que a privatização do saneamento básico elevou o preço dos serviços a níveis impraticáveis para a grande maioria dos alemães, com o desemprego e as reduções de direitos trabalhistas, assistenciais e previdenciários, além da qualidade inferior dos serviços prestados pelas empresas privadas, obrigando Angela Merkel a reestatiza-lo.

Nenhuma questão se nos afigura tão nacional quanto as denominadas identitárias, intimamente ligadas à formação das populações dos países e das culturas neles prevalecentes.

O que significa legalizar drogas, mesmo sendo leves, na Alemanha, no Brasil, no Oriente Médio ou no sudeste asiático? Procedimentos totalmente distintos, regulações inteiramente diferentes, pois encontrarão hábitos e civilizações separados por séculos e povos de formações diversificadas.

A ideia da globalização é colonial, um só império, um só idioma, uma única moeda e, assim, a Inglaterra exterminou etnias, culturas e povos africanos, asiáticos, das américas e do pacífico pelo século XIX. Hoje são as finanças, os capitais apátridas, marginais que empreendem esta dominação. E os imbecis nela votam, aplaudem, consideram que estão contemporâneos das ideias, quando apenas estão antecipando suas mortes e impedindo sua descendência.

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