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MARINA DUTRA

Maternidade Solo: Quando Amor Vira Exaustão

Publicado

Autor/Imagem:
Marina Dutra - Francisco Filipino

Você já sentiu que não pode nem adoecer, porque não há quem assuma seu lugar? Para milhões de mães e pais solos, essa não é uma pergunta retórica, é a vida real. Segundo o IBGE, mais de 11 milhões de famílias no Brasil são chefiadas por mulheres sozinhas. A sobrecarga não é só física, mas emocional e mental, e o preço pago em silêncio é alto.

Hoje, vamos falar sobre esse peso invisível e como começar a aliviar o fardo.

Existe um cansaço que não se resolve com uma noite de sono.

Existe um peso que não aparece no corpo, mas dobra a alma.

A maternidade ou paternidade solo costuma morar exatamente aí.

Você acorda sabendo que tudo depende de você. Não só as contas, os horários, a comida, a escola. Depende de você o equilíbrio emocional da casa, o clima, a segurança, o chão. Não há revezamento. Não há “agora é sua vez”. Há apenas continuidade. Todos os dias.

E o que mais exaure não é fazer muito. É não poder parar.

Quando uma mãe ou um pai solo diz “não posso adoecer”, isso não é força, é alerta. O corpo entra em estado de vigilância permanente. A mente aprende que relaxar é perigoso.

E, aos poucos, viver deixa de ser viver e vira sustentar.

Sustentar o filho.

Sustentar a casa.

Sustentar a própria dor em silêncio.

Muitas dessas pessoas cresceram aprendendo que ser forte era não precisar de ninguém. Então a maternidade solo não cria esse padrão, ela ativa algo que já estava ali: a crença de que pedir ajuda é fraqueza, de que descansar é privilégio, de que falhar não é opção.

O problema é que o amor, quando vive sem apoio, começa a se misturar com exaustão.

E aí surgem pensamentos que geram culpa profunda:

“Eu amo meu filho, mas estou cansado demais.”

“Eu faço tudo, mas nunca é suficiente.”

“Eu deveria dar conta melhor do que dou.”

Esses pensamentos não significam falta de amor. Eles significam sobrecarga emocional crônica.

O burnout parental não começa quando a pessoa “não aguenta mais o filho”. Ele começa quando a pessoa não aguenta mais ser tudo. Tudo para todos. Menos para si.

É muito comum ouvir mães e pais solos dizendo: “Se eu cair, tudo desmorona.”

Essa frase revela algo importante: não é só responsabilidade é solidão emocional. A sensação de que não há um adulto para dividir o peso, para validar, para amparar quando o
mundo fica pesado demais.

E aqui é preciso ser claro, com respeito e verdade: ninguém sustenta esse lugar por muito tempo sem adoecer.

Ansiedade, irritabilidade, insônia, culpa excessiva, sensação de vazio, choro contido, perda de prazer… tudo isso não é fraqueza. São sinais de um sistema sobrecarregado tentando sobreviver. O caminho de alívio não começa fazendo mais. Começa desmontando a crença de que você precisa ser herói.

Aceitar ajuda não é depender.

Delegar não é abandonar.

Cuidar de si não é egoísmo, é responsabilidade emocional.

Filhos não precisam de pais perfeitos. Precisam de adultos vivos, presentes, inteiros o suficiente para amar sem se anular.

Se você se reconheceu nesse texto, saiba: o que você sente é comum, compreensível e humano. Você não é fraco. Você está cansado. E isso muda tudo. Talvez hoje o autocuidado não seja um banho demorado ou uma viagem. Talvez seja apenas admitir: “Eu não preciso dar conta de tudo sozinho.”

Esse reconhecimento já é o começo do descanso.

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Acompanhe no perfil @sersuperconsciente às lives “Terapias que reconectam”, todas às terças e quintas-feiras, às 19h. Retornarão no dia 24 de fevereiro!

Marina Dutra – Terapeuta
E-mail: sersuperconsciente@gmail.com

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