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Santa Catarina

MDB rompe com bolsonarismo e deve apoiar candidato do PSD

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@donairene13 - Foto Divulgação

Já faz alguns anos que a direita brasileira foi sequestrada pelo bolsonarismo. O que antes era um campo político plural, com diferentes correntes conservadoras e liberais, praticamente desapareceu, dando lugar a uma extrema direita que se confunde inteiramente com o projeto político da família Bolsonaro. Nesse cenário, qualquer tentativa de autonomia passou a ser vista como traição, e a política virou um jogo de submissão ou exclusão.

No entanto, nesta segunda-feira, dia 26, o MDB de Santa Catarina deu um passo importante para romper essa lógica. Em reunião do diretório estadual, o partido decidiu oficialmente romper com o governo de Jorginho Mello. A decisão veio após o governador anunciar como seu vice Adriano Silva, prefeito de Joinville e filiado ao partido Novo, além de reafirmar seu alinhamento com a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado.

A soma desses movimentos tornou a permanência do MDB no governo insustentável. De um lado, a escolha de um vice fora da base tradicional de alianças; de outro, a submissão política a um projeto familiar que não dialoga com a história nem com a cultura política do MDB catarinense. O recado foi claro: o partido não aceitará ser figurante em uma disputa marcada por interesses que extrapolam Santa Catarina e atendem a uma lógica nacional de radicalização.

Na disputa pelo governo do estado, tudo indica que o MDB deverá apoiar João Rodrigues, prefeito de Chapecó e filiado ao PSD. Trata-se de uma escolha que sinaliza a tentativa de reconstruir um campo político de centro-direita fora da órbita bolsonarista, buscando uma alternativa mais pragmática e menos ideológica.

Com essa movimentação, o caminho para a reeleição de Jorginho Mello tende a se tornar mais difícil. A perda do MDB fragiliza sua base política e amplia o isolamento em torno de um projeto que aposta quase exclusivamente na fidelidade ao bolsonarismo. Em vez de ampliar alianças, o governador parece ter optado por estreitar ainda mais seu campo de apoio.

O que acontece em Santa Catarina pode ser um ensaio do que veremos em outros estados: uma direita tentando se reorganizar fora da sombra de Bolsonaro. Resta saber se esse movimento será suficiente para devolver ao debate político algum grau de pluralidade ou se a extrema direita continuará falando sozinha em nome de toda a direita brasileira.

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