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Meus sonhos

Memórias da eternidade

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

Gostaria de guardar meus sonhos,
pois neles encontro tanto alegria quanto dor,
cicatrizes que atravessam minha memória
e despertam em mim o peso da saudade.

O tempo avança, consumindo desejos,
minhas primaveras se escondem sob o frio do inverno,
e as lágrimas da lua, teimosas,
não conseguem ocultar minha tristeza.

Já não espero inocências perdidas,
nem feitiços que o amor conjurava.
Refugiei-me na margem do adeus,
na brancura de uma candura que se desfez.

O entusiasmo juvenil talvez tenha partido,
mas cada respiração traz lembranças vivas,
como brasas que aquecem meu corpo
e me transportam para universos secretos,
onde a palavra é luz sem fim
e os sonhos não se rendem ao silêncio.

E assim descubro que, mesmo na dor,
há uma centelha que insiste em permanecer,
um sopro que renova a alma,
um amor que resiste ao tempo
e se torna eternidade em cada lembrança.

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