Protesto enganoso
Menino maluquinho vira Pinóquio e dá volta ao mundo sem sair do lugar
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Graças às voltas que o mundo dá, eu si divirto (assim mesmo) com as pessoas que se se assemelham a uma moeda de dois lados e estão sempre prontas a mostrar a face mais conveniente. São aquelas do tipo iceberg, cuja ponta é visível, mas a parte nociva e diabólica está escondida. É o caso nu e cru do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), menino obediente, obsequioso e bajulador de primeira hora do clã Bolsonaro. Pois bem. Muito antes de descobrir a farsa, eu já estava escrevendo sobre o farsante Nikolas, o mesmo que não sabe mais o que fazer para aparecer.
Tomara que um correligionário lhe sugira com urgência pendurar no pescoço a cueca usada pelo ex-presidente Jair Messias em sua primeira noite nos novos aposentos da Papudinha. Enquanto isso, a pergunta que não quer calar é simples: O que leva um parlamentar bem votado a tratar seu eleitorado dessa forma? Falta do que fazer, vontade de chamar atenção ou necessidade de crescer? Talvez tudo isso junto e mais uma chamada de um ou dois eleitores para que ele crie coragem e apresente pelo menos um projeto de interesse do seu estado, de sua cidade ou de sua base eleitoral.
Faz três anos que o menino maluquinho foi informado da possibilidade de seu mestre Bolsonaro e os demais golpistas serem presos. Foram. Após o devido processo legal, Jair, seus asseclas e os terroristas fanáticos acabaram condenados e, conforme determina a lei, enjaulados. Por que só agora, Nikolas resolveu protestar publicamente contra o que está posto há meses? Em alguns casos, há anos? Não há outra explicação lógica que não seja o exacerbado, entusiasmado e amalucado desejo de mostrar ao distinto, mas ocupado público brasileiro o tamanho de sua servilidade aos interesses dos tiranos. Aliás, como vestibulando de déspota, ele parece que daria para um ótimo histrião.
Craque na arte de criar fatos que o impeçam de exercer o mandato que o povo mineiro lhe confiou, o deputado que não sabe ou finge não saber o que faz um parlamentar anunciou esta semana mais um daqueles protestos que não servem sequer para projetá-lo como descartável. Muito mais eleitoreira do que em defesa de seu queridinho, a manifestação Nikolaniana deveria ter 740 quilômetros, que é a distância entre Brasília e Belo Horizonte. No entanto, a caminhada que ele começou pela BR-040 na segunda-feira (19) teria aproximadamente 240 km, conforme divulgado por sua assessoria. Aí começou a enganação. Ou seja, disse que daria a volta ao mundo, mas não saiu do lugar.
De acordo com filmagens de terceiros e quartos, o percurso inteiro talvez não passe de um metro e meio. Considerando todas as margens de erro, ele pode chegar a 22 cabalísticos metros. E sabem por quê? Porque ele anda dois metros e meio, sobe numa caminhonete pronta para a sacanagem e roda de 80 a 100 km. E assim sucessivamente. Antes de seguir viagem motorizado, produz vídeos em série para sua rede social. Desse modo, qualquer perneta chega à lua. Imaginem um sujeito como o deputado, que, além de não dispor de seriedade alguma, também não tem punho. Ou seja, é um Zé…
O problema é que ainda há quem acredite nas lorotas do papudinho bolsonarista. Como tem bobo para tudo, ele aportará dia 2 de fevereiro na Câmara munido de fatos inventados. Como a farsa não se sustenta a longo prazo, pelo menos a caminhada que não existiu deverá servir para que o Brasil inteiro perceba que o deputado da putada é a prova inconteste de que nada melhor do que seres cínicos para nos mostrar a verdadeira face da hipocrisia. Quando pessoas mentirosas e dissimuladas batem à minha porta, não abro para evitar ser contagiado pelo fingimento.
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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras