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Recife

Menino mordido por tubarão segue com alto risco de infecção

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Autor/Imagem:
Malu Oliveira - Foto Divulgação

O menino João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos, que perdeu uma das pernas após ser atacado por um tubarão na praia de Piedade, no Grande Recife, permanece internado em isolamento estrito. A medida é considerada vital pelos médicos devido ao alto risco de infecção que o paciente ainda enfrenta. De acordo com o pai da criança, Lucas Nemezio, o garoto apresenta uma imunidade muito baixa neste momento, o que exige cuidados extremos na unidade de saúde.

Em um pronunciamento feito por meio de suas redes sociais na última sexta-feira (5), o pai explicou que as restrições são necessárias para proteger a saúde do filho. Ele enfatizou que qualquer visita ao quarto de internação, por mais afetuosa que seja, carrega o perigo latente de contaminação por vírus ou bactérias. Lucas justificou o distanciamento temporário explicando que o corpo do menino não tem condições de combater novas ameaças biológicas na fase atual do tratamento médico.

O incidente trágico aconteceu no domingo anterior (31), em um trecho movimentado da praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. Naquela tarde, João Lucas estava no mar na companhia de seus tios, primos e amigos quando foi surpreendido pelo animal. O tubarão desferiu mordidas profundas que atingiram a coxa esquerda e também a mão esquerda da criança, espalhando pânico entre as testemunhas.

Parentes que estavam por perto agiram rápido e conseguiram retirar o garoto de dentro da água em estado grave. Na faixa de areia, guarda-vidas iniciaram os procedimentos de socorro emergenciais para mantê-lo vivo. A ação ganhou o reforço providencial da médica Luísa Monte, moradora das proximidades, que correu ao local levando toalhas e aplicou um torniquete na perna ferida para conter a forte hemorragia antes da chegada das ambulâncias.

Após o resgate na praia, João Lucas foi levado primeiramente ao Hospital da Aeronáutica para receber estabilização clínica urgente. Em seguida, o paciente foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Restauração (HR), situado no bairro do Derby, na região central do Recife. No HR, os cirurgiões constataram a gravidade dos tecidos e precisaram amputar a perna esquerda do menino, além de suturarem fraturas sofridas na mão.

O garoto passou quatro dias na UTI pública e, na última quinta-feira (4), foi transferido para uma unidade da rede privada Unimed, na Ilha do Leite. Agora, em um quarto isolado, o foco é a cicatrização e o suporte emocional. O pai revelou publicamente que a saúde psicológica de João Lucas foi severamente abalada pelo trauma do ataque e pela perda do membro, demandando um acompanhamento psicológico especializado e contínuo.

Diante do cenário complexo, a família iniciou uma mobilização solidária na internet para arrecadar fundos para o tratamento do garoto. Lucas Nemezio destacou que a jornada de reabilitação do filho será dolorosa e muito longa. Ele pontuou que, embora o plano de saúde ofereça cobertura para os procedimentos hospitalares básicos, os chamados “custos invisíveis” decorrentes de uma amputação desse porte são extremamente elevados.

Os recursos arrecadados na campanha virtual serão direcionados para despesas que vão muito além das mensalidades médicas cotidianas. A família precisará investir em remédios de alto custo, próteses e insumos cirúrgicos modernos que não são fornecidos pelas operadoras de saúde brasileiras. Há também a necessidade imediata de realizar reformas estruturais e adaptações de acessibilidade na residência onde o menino vive, uma casa pequena ocupada pela mãe e pelo irmão dele.

A rotina familiar também sofreu uma reviravolta logística por conta da distância profissional do pai, que é servidor público federal. Lucas Nemezio ingressou nos quadros da Polícia Rodoviária Federal (PRF) há apenas quatro meses e estava baseado na cidade de Manaus quando o crime da natureza ocorreu. Sem moradia fixa na capital amazonense e pego de surpresa pelo acidente, ele agora tenta acelerar sua transferência funcional de volta para Pernambuco.

No vídeo divulgado, o policial rodoviário demonstrou imensa gratidão e classificou a sobrevivência do filho como um verdadeiro milagre operado por intervenção divina. Ele fez questão de agradecer nominalmente à médica Luísa Monte e a todos os profissionais que atuaram no salvamento na orla. Especialistas confirmaram posteriormente que a técnica do torniquete improvisado na areia foi o fator determinante para impedir o óbito por choque hemorrágico.

Estatísticas do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) apontaram que o ataque a João Lucas envolveu um exemplar da espécie tubarão-cabeça-chata. Essa variedade marinha é conhecida por nadar em águas rasas e turvas costeiras para investigar possíveis presas. O caso acendeu o alerta máximo nas praias locais devido à proximidade temporal com outra ocorrência idêntica e grave na região.

Apenas um dia após o ferimento do menino, na segunda-feira (1º), a jovem Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, também foi atacada na Praia de Boa Viagem. Ela teve a perna direita arrancada por um tubarão-tigre e foi salva por banhistas que também aplicaram um torniquete. Marcela saiu da UTI do Hospital da Restauração na quinta-feira (4) e, ao contrário de João Lucas, segue o tratamento na enfermaria geral daquela rede pública.

Assista ao vídeo no Instagram: https://www.instagram.com/reel/DZQHJWdhTao/

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