Lista para 2026
Metas que cabem na vida que eu tenho
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No começo do ano, muita gente gosta de colocar metas no papel. É quase um ritual: folha em branco, caneta na mão e uma lista de promessas para os próximos doze meses. O problema é que, muitas vezes, essas metas são difíceis demais. Ou pior, não dependem exclusivamente de quem as estabelece. A gente cobra resultados como se tivesse controle absoluto sobre a vida, o tempo, o dinheiro e até sobre os outros.
Há também um detalhe ainda mais delicado: nem sempre as metas nascem de critérios bons ou justos. Muitas vezes, elas surgem da ideia de como a gente acha que deveria estar. Ou, pior ainda, da comparação com quem não tem uma vida nem de longe parecida com a nossa. Aquele corpo escultural que a influencer exibe nas redes custa dinheiro, tempo e recursos que a gente nem sempre tem. O apartamento que o primo distante comprou pode até ter vindo de um trabalho que não foi exatamente honesto. Mas isso nunca aparece na foto bem iluminada do Instagram.
Confesso: eu já caí nessa armadilha. Mais de uma vez. E quando o ano chega ao fim, a sensação de fracasso parece inevitável, como se a gente tivesse errado em algo essencial, quando na verdade talvez só tenha sido injusta consigo mesma desde o início.
Por isso, neste ano, resolvi fazer diferente. Estabeleci metas mais modestas, porém muito mais realistas. Metas que cabem na vida que eu tenho, não na vida que eu imagino ou invejo. Quero ler um livro, assistir a uma série sem culpa, passar mais tempo com meus pais. Quero dizer “eu te amo” com mais frequência, ser mais gentil comigo mesma e com o próximo. Quero fazer terapia e me permitir olhar para dentro com honestidade e cuidado.
Talvez sejam exatamente esses pequenos passos, que a gente costuma subestimar, os verdadeiros responsáveis pelas conquistas maiores. Porque não é a lista grandiosa que transforma a vida, mas a constância do que é possível, humano e verdadeiro.