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Panorama Político

Mexeram com a família, e a Leoa reage com garra

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João Zisman - Foto de Arquivo

Dois temas se destacam hoje em Brasília. De um lado, o Banco de Brasília; de outro, a sucessão ao Palácio do Buriti.

No âmbito do Supremo, Luiz Fux determinou que União, Banco Central e Fundo Garantidor de Créditos se manifestem sobre o pedido do Governo do Distrito Federal relacionado às garantias para a operação de até R$ 6,6 bilhões destinada ao BRB. O despacho não libera dinheiro nem assegura a operação, mas mantém o Supremo como peça importante na tentativa de destravar uma solução financeira que ainda não conseguiu avançar.

O GDF recorreu ao STF depois de meses de dificuldades para montar a estrutura de garantias prevista na operação. Os bancos demonstram insegurança jurídica em relação às contragarantias, e o próprio mercado ainda trabalha com dúvidas sobre a suficiência dos R$ 6,6 bilhões diante de uma fotografia financeira do BRB que permanece incompleta.

O detalhe incômodo é o momento. O BRB volta a precisar do Supremo justamente quando o Supremo está ocupado tentando administrar a própria crise. Edson Fachin suspendeu decisões conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino sobre a direção da Polícia Federal, retirou Alexandre de Moraes da condução do inquérito das fake news, centralizou na Presidência procedimentos envolvendo integrantes da Corte e convocou sessão extraordinária para 15 de setembro.

Não se pode chamar isso propriamente de erro de timing, porque ninguém escolheu a coincidência, muito menos concluir que a turbulência do STF produzirá qualquer prejuízo processual ao BRB. Mas é, sem dúvida, um timing institucional ruim para o banco. Uma solução que já depende de União, Banco Central, FGC, instituições financeiras, garantias e contragarantias volta a bater à porta do Supremo no momento em que a própria Corte tenta colocar ordem dentro de casa.

Já a representação encaminhada ao MPDFT por sete candidatos ao Governo do Distrito Federal ganhou ontem um segundo movimento e entrou definitivamente no discurso eleitoral.

Arruda e Leandro Grass passaram a explorar pagamentos realizados pela Real JG Facilities à Faceng Engenharia, empresa ligada ao marido e a uma filha de Celina Leão. Reportagens apontam 14 notas fiscais de R$ 100 mil, somando R$ 1,4 milhão, referentes a serviços contratados.

A Real JG mantém contratos com órgãos do Governo do Distrito Federal, circunstância que sustenta o questionamento apresentado pelos adversários, mas não permite concluir, isoladamente, que tenha ocorrido qualquer irregularidade.

O ponto político está na convergência: Arruda e Grass, que aparecem muito próximos na disputa pela segunda posição nas pesquisas, encontraram uma pauta comum contra Celina e decidiram mantê-la no centro da campanha.

Celina respondeu aos ataques classificando a movimentação dos adversários como articulação eleitoral e afirmou estar tranquila quanto à legalidade dos fatos questionados.

A governadora deixa, portanto, de permitir que o assunto caminhe apenas pela via institucional e passa a enfrentá-lo também politicamente.

A partir daqui, interessa menos acompanhar cada nova troca de acusações e mais observar dois movimentos concretos: qual destino o MPDFT dará à representação e se surgirão novos documentos ou informações capazes de acrescentar fatos ao que já foi divulgado.

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