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Dinheiro sujo

Ministros do STF agem como ratos que investigam quem roubou fatias do queijo

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo

Enquanto os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça não derem as explicações que a sociedade merece e exige, mesmo de longe, o errante, cego e flutuante Supremo Tribunal Federal lembrará a história da Geni. Sem as metáforas do comandante, do enorme Zepelim e da dama que servia a tortos, detentos, lazarentos e retirantes, Geni é aquela que já foi um poço de bondade, mas hoje, desdonzelado, virou alvo de pedradas da direita, da esquerda, do centro e, principalmente, da extrema-direita.

Interessante é que os carrascos da Corte Suprema são membros efetivos, ativos e vitalícios da instituição. Por conta e risco de seus anseios políticos-partidários, eles abriram muito mais do que dois mil orifícios no palácio imponente em que muitos dos que vestem ou já vestiram as intocáveis togas viveram dias de glória. Hoje, aparentemente dispostos a implodir a formosa sede do Poder Judiciário, alguns dos ministros da “Casa” cuspiram na própria imagem e, o que é pior, jogaram na lama a credibilidade conquistada ao longo de 135 anos de existência.

Como ratos responsáveis por investigar e julgar suspeitos do roubo de um queijo, os ministros envolvidos na briguinha do tipo altercação de lavadeiras e de comadres que defendem seus mantenedores ainda não perceberam que, nessa escandalosa batalha campal, mais do que cobrar, é deles a obrigação de dar as explicações cobradas pela atônita sociedade. Resumindo, às excelências com cabeças coroadas e com os maiores holerites da República não basta o requisito constitucional da honestidade. É uma obrigação que elas, as excelências, sejam honestas.

Com a pompa de suas vestimentas, aliada ao palavreado singular, escorreito e quase ininteligível de seus votos, às formalidades em plenário e ao distanciamento secular do povo, os magistrados da Corte mais alta do Judiciário brasileiro precisam atender à sugestão do imperador romano Júlio César. Longe de mim, questionar a integridade dos ministros, mas não custa lembrar que, para o imperador, a reputação e a imagem de alguém em posição de destaque importam tanto quanto suas verdadeiras intenções. Daí o provérbio de que “à mulher de César não basta ser honesta. Ela tem de parecer honesta”.

Torço para que o ministro Edson Fachin consiga conter os ânimos, proteger a instituição e dar a resposta exigida pela população brasileira. Até agora, a realidade não passa de expectativas. Embora tenha perdido tempo, Fachin chamou para sim a solução de um armistício que colocou o Supremo Tribunal entre as instituições menos confiáveis do país. Como é de interesse público, o Congresso Nacional é a pior delas. Apesar de todos os pesares, a mais confiável ainda é o Jogo do Bicho, no qual vale o que está escrito.

Pelo visto, o que está escrito no STF de 2026 não vale nada, pois determinadas canetas estão contaminadas. Voltando aos ratos, depois de dispor o pau à mesa, Edson Fachin está com a faca e o queijo na mão. É dele a responsabilidade de apurar se a Polícia Federal conseguiu ou não colocar grampo no ministro Xandão e sobre a Bíblia de quem André Mendonça jurou que, ao julgar Moraes, estava apenas protegendo as pilastras do Tribunal. Soube por fontes fidedignas que, por ordem de Edson Fachin, até que se apure tudo tim-tim por tim-tim o amigo oculto de fim de ano está cancelado na Corte Suprema.

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