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Desviando das urnas

Missão do TSE é saber quem filiou 01 a outro partido

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Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto de Arquivo/ABr

Assim como nas competições esportivas, é natural e muito normal que, em uma disputa eleitoral, tenhamos preferência por um candidato. Anormal é uma candidatura, antes mesmo de chegar às ruas, gerar dúvidas pelo amontoado de mentiras, de ameaças e de tentativas fraudulentas de se apresentar como palpável. Na verdade, anormal é um candidato que, para a maioria esmagadora do eleitorado, significa, além de coisa alguma, isto é, o mesmo que nada, uma fraude generalizada.

Com todas as vênias a seus seguidores, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lembra uma daquelas novelas mexicanas, nas quais as manobras, maracutaias e sacanagens contra os antagônicos não têm fim. Com ele acontece de tudo. A última foi a dupla filiação partidária, descoberta minutos antes de o PL formalizar junto ao Tribunal Superior Eleitoral o registro de sua candidatura à Presidência da República. Molecagem, fraude ou uso indevido de quem dispõe de credenciais para realizar filiações, o fato é que Flávio apareceu vinculado ao Missões do também presidenciável Renan Santos.

Isso é mais do que anormal. Parece mais uma das armações de quem se acha acima do bem e do mal. Quem sabe um novo argumento para, confirmada a provável derrota em 3 outubro, novamente desqualificar a lisura e a segurança do sistema eletrônico de votação. Seja lá o que, o ministro Nunes Marques (ele mesmo) cortou o mal pela raiz, cancelou o Missão e devolveu 01 ao portentoso e seríssimo Partido Liberal. Interessante é que, logo após a descoberta, o candidato do PL atirou contra o que viu e contra o que não viu.

Como tiros à esmo normalmente voltam para quem atira ou são avaliados como de festim, mais esse factóide de Flávio Bolsonaro não alcançará o alvo. Em suas redes, 01 anunciou que tentaram fraudar sua filiação partidária, que “o jogo sujo não funcionou e que não vai funcionar”. De onde partiu o jogo sujo e que tipo de interesse alguém teria para atrasar um ato meramente protocolar? Considerando que o Missão alertou o PL sobre a suposta fraude no dia 2 deste mês, por que somente nos acréscimos da prorrogação é que ele e seu staff decidiram denunciar a possível trapaça?

Melar as eleições a essa altura do jogo é impossível. Para um político que se apresenta falsamente como pós-graduado e não tem resposta para nada, não será absurdo se hoje ainda, amanhã ou nos próximos dias ele acusar o petismo da burla no TSE, atacar o governo Lula e reiterar ao público que ainda acredita em armações ilimitadas que ele é perseguido pelos adversários. Além dele mesmo, quem o persegue? E para que? Seria uma perda de tempo alguém se prestar a esse papel contra um presidenciável que não consegue uma única explicação para a sucessão de fatos negativos envolvendo seu nome.

O roteiro da novela mexicana do bolsonarismo é inesgotável. Para os que agem com correção, o melhor é que o enredo não tem dúvidas, tampouco especulações. São fatos investigados e comprovados pela Polícia Federal, entre eles mensagens, áudios, transferência bancárias, notas fiscais, desmentidos oficiais de universidades e financiamentos mandrakes para filmes ainda mais duvidosos. O mais curioso disso tudo é que, conforme a direção do Missão, Flávio Bolsonaro não é bem-vindo no partido. Depois do mistério da morte de Odete Roitman, resta ao TSE descobrir quem filiou 01 a uma legenda que jamais sonhou com a honestidade do candidato da extrema-direita.

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Sonja Tavares é Editora de Política

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