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Sede de sangue

Míssil de Israel atinge escola e mata mais de 50 meninas em cidade do Irã

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Autor/Imagem:
Antônio Albuquerque - Foto Reprodução/X

Um míssil de Israel transformou em escombros uma escola feminina na cidade de Minab, na província iraniana de Hormozgan, neste sábado (28), deixando ao menos 57 alunas mortas e dezenas de feridas. A informação foi divulgada pela agência estatal iraniana IRNA e confirmada por autoridades locais. O episódio é fruto da carnificina iniciada horas antes, com ataques conjuntos dos Estados Unidos e do Estado judeu contra o país dos aiatolás.

Segundo o governador do condado, Mohammad Radmehr, outras 60 estudantes ficaram feridas. Destas, 53 ainda estariam sob os escombros no momento do primeiro balanço oficial. Equipes de resgate trabalham em meio a destroços, poeira e gritos, tentando retirar sobreviventes debaixo do concreto retorcido. O prédio, que funcionava como instituição de ensino básico para meninas, teria sido atingido durante uma ofensiva mais ampla na região.

A província de Hormozgan, localizada próxima ao estratégico Estreito de Ormuz — corredor vital para o transporte global de petróleo — tem sido considerada área sensível em meio à escalada militar entre Israel e Irã. O aumento das tensões ocorre após sucessivas trocas de acusações e operações indiretas envolvendo aliados regionais e ataques a alvos militares e estratégicos.

Até o momento, não houve confirmação oficial por parte de Israel sobre a autoria do ataque. Fontes militares iranianas classificaram a ação como “crime contra civis” e prometeram resposta “proporcional e inevitável”. Observadores internacionais alertam que o episódio pode ampliar ainda mais o conflito, arrastando outros atores regionais e globais para uma espiral de violência.

Mais do que números, no entanto, a tragédia expõe o rosto mais cruel da guerra: o de crianças que viviam para sorrir, estudar e sonhar. Mochilas espalhadas entre os escombros, cadernos cobertos de poeira e sapatos pequenos desalinhados no pátio tornaram-se símbolos silenciosos de uma disputa geopolítica que atravessa fronteiras, mas atinge corpos frágeis.

Em conflitos prolongados, escolas deixam de ser espaços de aprendizado para se tornarem alvos ou vítimas colaterais. Organizações humanitárias vêm alertando para o risco crescente enfrentado por civis — especialmente mulheres e crianças — em áreas próximas a instalações militares ou estratégicas. A guerra, quando alimentada pela lógica da retaliação, parece perder qualquer freio moral.

Enquanto diplomatas discutem termos e generais calculam respostas, famílias aguardam notícias diante de ambulâncias e hospitais superlotados. Em Minab, o silêncio que se segue às explosões ecoa como pergunta incômoda: até quando conflitos políticos continuarão a ceifar vidas que mal começaram a florescer?

O episódio poderá marcar um novo e perigoso capítulo na já volátil relação entre Irã e Israel, com impacto direto na estabilidade do Oriente Médio e no mercado internacional de energia. Mas, para as famílias que hoje choram, geopolítica é palavra vazia. O que resta é a ausência — e a memória de meninas que tinham o mundo pela frente.

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