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Cultura

Mistério e suspense marcam o novo filme de Jagoda Szelc

Foto/Divulgação
Luiz Zanin Oricchio

Não falta mistério a Torre – Um Dia Brilhante, de Jagoda Szelc (Polônia). A começar pela abertura, quando um carro avança por uma estrada solitária, subindo a montanha entre florestas. A câmera o acompanha do alto e ruídos inquietantes estabelecem o clima da história.

É uma visita de família, mas as arestas se expõem logo na chegada e no encontro das irmãs Mula (Anna Krotoska) e Kaja (Malgorzata Szczerbowska). Quando o abraço demora demais, Mula se afasta: “Agora chega”. Sabemos que, por motivo ignorado, Kaja abandonou a filha recém-nascida e ela foi criada por Mula. Essa teme que Kaja tenha vindo para reaver a criança, agora com seis anos.

Esse é, digamos, o valor de face do suspense. Outras inquietudes se agregam e inflacionam o mal-estar. As pessoas ouvem um estranho ruído atrás da parede e, não aguentando de ansiedade, Mula abre um buraco a marteladas para ver o que há lá dentro. A mãe de Mula e Kaja, prostrada pelo Alzheimer, de pronto se restabelece com a chegada da filha pródiga. Os preparativos são para a primeira comunhão da menina, mas o sacerdote parece esquecer as palavras da cerimônia, perturbado por um ruído que talvez apenas ele escute.

O filme trabalha com um realismo atravessado por elementos do fantástico. Faz essa mescla de maneira discreta e, não tendo qualquer intenção de provocar sustos, instala o espectador num clima de indefinível estresse. O rigor da filmagem em cenas abertas, contrapondo-se a uma câmera na mão que acompanha os personagens, criam a gramática dessa tensão.

Há também outro trunfo. Mula, a personagem que mais sobressai, é a que também mais se destaca por seu desequilíbrio. Torna-se testemunha pouco confiável do que acontece por sua falta de objetividade. Mas é então que a proposta do filme lucra, com essa instabilidade emocional e de percepção, que deixa tudo indefinido. Bom suspense psicológico, torna-se enigmático sem procurar ser misterioso de maneira artificial.

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