Renascer
Morrer de amor
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Acordei cedo e na esquina encontrei o Léo.
-Velho, tô morrendo de amor… -, logo ele foi dizendo meio desnorteado.
Ouvi. Pensei. E lembrei-me das tantas vezes que já morri de amor.
-Cara, pega leve. É só outra paixão.
-Paixão nada; é amor de morte.
Segui andando e pensando na frase de Léo:
“Amor de morte”.
Os amores marcam tatuagens existenciais desenhadas na pele d’alma. Deixam cicatrizes de dor e efêmeros prazeres.
É feito o canto de uma sabiá perdida do pequeno filho.
É como a mãe vendo o quarto do filho que se foi.
É fogo e potência que nos ilumina e nos apaga.
Ao longo do dia penso em Léo. E em mim mesmo.
Todos tão perdidos de amor perambulando por aí.
Então, saquei a desgastada frase de escárnio e certa esperança tantas vezes repetida na literatura dos livros e dos casos fatídicos de amor:
“Morrer de Amor é renascer todos os dias”
Pois, amigo Léo, morrer de amor é antigo, porém mais atual do que a gente pode imaginar.
“Morrer, renascer para morrer de novo”.
Ah1 esse tal de Amor…
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Gilberto Motta é escritor, jornalista, professor/pesquisador que segue pela estrada, abraçado e enroscadinho com o Amor. Vive na Guarda do Embaú SC.