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Desvios em Caldas

Morte de corretora envolve desvio de 100 mil reais

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Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Divulgação

O caso que chocou a cidade de Caldas Novas ganhou novos desdobramentos policiais impressionantes que revelam uma teia de abusos financeiros. Cleber Rosa de Oliveira, de 49 anos, que já responde pelo assassinato da corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, foi indiciado pela Polícia Civil por crimes financeiros graves. A nova investigação aponta que ele utilizava de forma sistemática o dinheiro da associação de moradores para custear luxos e necessidades pessoais.

As investigações detalham uma rotina de desvios que sangrou os cofres do condomínio ao longo de anos. Entre as fraudes mais gritantes constatadas pela Polícia Civil está o uso de recursos coletivos para o abastecimento de veículos. Segundo documentos obtidos pela TV Anhanguera, Cleber gastou cerca de R$ 25,2 mil diretamente em postos de combustíveis com o dinheiro que deveria ser investido na manutenção do próprio condomínio.

Para além do combustível, o acusado também direcionava as verbas dos moradores para cuidar de sua frota particular. O inquérito policial identificou notas fiscais e comprovantes de manutenção veicular que somam R$ 4,4 mil. O fato que chamou a atenção dos investigadores foi a constatação óbvia e irrefutável de que a associação de moradores local não possuía nenhum carro próprio registrado.

A audácia dos desvios administrativos comandados pelo ex-síndico parecia não encontrar limites éticos ou legais. Entre os anos de 2023 e 2025, as contas de planos telefônicos pessoais do investigado eram integralmente quitadas com o dinheiro da comunidade, gerando um prejuízo de R$ 3 mil. O padrão de vida e os negócios particulares do indiciado eram bancados de forma fraudulenta às custas das taxas condominiais.

O patrimônio pessoal de Cleber também cresceu diretamente às custas do bolso dos moradores que ele deveria representar. A quebra de sigilo e a análise documental provaram que ele utilizou expressivos R$ 28,1 mil da associação para pagar escrituras de imóveis próprios. Essa manobra transferia a riqueza coletiva diretamente para a expansão do inventário imobiliário particular do acusado.

Outro esquema financeiro bizarro descoberto pelos agentes da Polícia Civil envolve o mercado de locação da região. Cleber teria se apropriado de um apartamento pertencente ao condomínio e o alugou para terceiros como se ele fosse o verdadeiro proprietário. Com essa fraude imobiliária, o homem embolsou ilegalmente dois meses de aluguéis, totalizando o valor de R$ 2,6 mil de lucro indevido.

No balanço final apresentado pelas autoridades que conduzem as apurações, o rombo financeiro total provocado pelo ex-gestor assusta a comunidade. O prejuízo consolidado causado à associação de moradores ultrapassa a marca exata de R$ 106,4 mil. Esse montante representa uma expressiva fatia de recursos que deixaram de ser investidos em segurança, infraestrutura e melhorias para os moradores.

O desdobramento mais polêmico e revoltante da investigação revela como o dinheiro desviado cruzou o caminho do crime de homicídio. Do montante total fraudado, cerca de R$ 18 mil foram sacados dos cofres do condomínio para uma finalidade inacreditável. O valor foi utilizado para pagar os honorários do escritório de advocacia que assumiu a defesa inicial de Cleber exatamente no processo onde ele é acusado de matar a corretora.

Para operacionalizar o pagamento dos advogados sem levantar suspeitas imediatas, o ex-síndico montou uma triangulação bancária que envolveu sua própria família. O dinheiro saía das contas da associação e era transferido primeiramente para a conta de seu filho, Maicon Douglas. Em seguida, o jovem repassava os valores para os defensores legais de seu pai, tentando ocultar a origem ilícita.

Devido à participação direta na movimentação dos recursos e na lavagem do dinheiro do condomínio, o filho do ex-síndico não escapou da responsabilização criminal. Maicon Douglas também foi formalmente indiciado pela Polícia Civil por coautoria nos desvios financeiros. A polícia Civil entendeu que ele agiu de forma consciente para ajudar a ocultar o dinheiro desviado pelo pai.

Toda a engrenagem de corrupção e desvios milionários começou a desmoronar após uma mudança forçada na gestão do condomínio. Logo após a prisão de Cleber pelo homicídio da corretora, uma nova pessoa assumiu a presidência da associação de moradores. Ao revisar os extratos e o fluxo de caixa, a nova administração imediatamente suspeitou de diversas movimentações financeiras sem justificativa.

O principal gatilho para a auditoria que descobriu o rombo foi justamente uma transferência via PIX destinada à conta bancária de Maicon Douglas. A transação não possuía qualquer contraprestação de serviço ou justificativa operacional que explicasse o envio de dinheiro do condomínio para o filho do antigo gestor. A partir desse fio solto, toda a contabilidade fraudulenta veio à tona.

O histórico de Cleber Rosa de Oliveira na crônica policial da região de Caldas Novas já era marcado pela violência extrema. Ele foi preso preventivamente pelas autoridades no dia 28 de janeiro, após intensas investigações sobre o paradeiro de Daiane Alves de Souza. A corretora de imóveis de 43 anos de idade estava desaparecida há mais de um mês, mobilizando familiares e amigos em buscas desesperadas.

Na ocasião de sua prisão em janeiro, encurralado pelas evidências obtidas pelos investigadores da delegacia local, o ex-síndico confessou o crime. Ele indicou com precisão o local exato onde havia ocultado o corpo da corretora de imóveis. O crime de homicídio qualificado chocou o estado e agora ganha contornos de crime financeiro com o fechamento deste novo inquérito.

O indiciamento formal por desvio de dinheiro do condomínio e apropriação indébita qualificada agora se soma às graves acusações de homicídio e ocultação de cadáver que Cleber já enfrenta. O Ministério Público deve analisar o inquérito da Polícia Civil nos próximos dias para oferecer a denúncia formal à Justiça. Os moradores do condomínio em Caldas Novas agora buscam judicialmente uma forma de tentar reaver o patrimônio lesado.

Assista ao vídeo (imagem impactante):

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