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Brasil

MP descobre no Piauí trabalhadores escravos alojados com porcos



Um lado obscuro do Brasil, que pouca gente conhece: no Piauí, o Ministério Público do Trabalho libertou, durante fiscalização rotineira, trabalhadores foram flagrados dormindo juntos com porcos.

A situação degradante análoga à escravidão acontecia em alojamentos de várias cidades na região Norte do estado, informa o G1. Os trabalhadores faziam o corte da palha da carnaúba em propriedades privadas.

Os fiscais encontraram trabalhadores dormindo em alojamentos que também servia para os animais. “Dormir ao lado de porcos é uma situação que desfigura totalmente a dignidade da pessoa humana e transforma ele num animal”, declarou o procurador do trabalho José Wellington.

Foram visitados o trabalho de 160 pessoas e somente em uma localidade, onde 30 pessoas trabalhavam, a situação era regular.

“Nas demais, a situação era de total precariedade. Até mesmo três adolescentes de 14, 15 e 16 anos foram encontrados nesta situação na proximidade da Praia do Arrombado, no Litoral do Piauí. Eles eram sobrinhos do contratante e não tinham nenhum tipo de proteção porque calçavam chinelos e sequer usavam luvas. O corte da palha de carnaúba é uma atividade proibida para menores de 18 anos por ser perigosa”, contou.

Ainda de acordo com o procurador, também foram encontrados pessoas trabalhando sem equipamentos de segurança, carteira assinada e sem equipamento de proteção individual. As refeições eram servidas em latas ao relento e os trabalhadores comiam no chão próximo à fezes de vaca. Outra irregularidade era o armazenamento de água em toneis onde era guardado agrotóxico.

Para o auditor fiscal da Superintendência do Trabalho e Emprego, a situação encontrada pelos órgãos de fiscalização é muito distante do que determina a legislação trabalhista, por isso eles vão responsabilizar todos os envolvidos na cadeia produtiva da cera de carnaúba.

“A cera de carnaúba está sendo vendida para o exterior porque parte dela é usada na indústria da computação, por este e outros motivos não vamos deixar que esta produção aconteça como era nas décadas passadas. Existe uma cadeia produtiva que deve e vai ser responsabilizada”, declarou o auditor.

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