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Coação de vítima de tortura

MPDFT denuncia namorada e sogra de ex-piloto Pedro Turra

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Autor/Imagem:
Malu Oliveira - Foto Divulgação

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ofereceu denúncia contra Lauanny Faria Braier Borges, namorada do ex-piloto Pedro Arthur Turra Basso, e a mãe dela, Moara Guimarães Faria. Elas são acusadas do crime de coação no curso do processo, após ameaçarem e tentarem descredibilizar uma jovem. A vítima em questão havia denunciado Turra por tortura, logo após a prisão dele pelo assassinato de um adolescente.

Pedro Turra está preso preventivamente e já é réu por homicídio. O ex-piloto responde pela morte de Rodrigo Castanheira, de 16 anos, jovem que foi agredido em Vicente Pires e faleceu após passar 16 dias internado em estado gravíssimo. Com a forte repercussão desse crime na mídia, uma ex-amiga do acusado tomou coragem e procurou a Polícia Civil para registrar episódios brutais de agressão e tortura sofridos anteriormente.

Segundo as investigações do Ministério Público, Lauanny e sua mãe tentaram barrar o andamento da nova investigação de forma criminosa. Mãe e filha enviaram mensagens ameaçando divulgar vídeos íntimos da jovem caso ela mantivesse a denúncia de tortura na delegacia. Para não deixar rastros, a dupla utilizou o recurso “apagar para todos” do aplicativo WhatsApp na tentativa de apagar as evidências da chantagem.

Não satisfeitas com as ameaças privadas, meses depois as duas denunciadas começaram a publicar ataques públicos nas redes sociais para descredibilizar a adolescente. O material incluía xingamentos, ofensas e até mesmo uma imagem digitalmente manipulada para forjar uma suposta proximidade íntima entre a vítima e o agressor Pedro Turra. O Ministério Público pediu uma indenização por danos morais de, no mínimo, R$ 5 mil à jovem.

Os relatos que motivaram as ameaças e a coação detalham sessões de extrema violência praticadas pelo ex-piloto. Em uma das ocorrências registradas, tipificada como perigo para a vida e omissão de socorro, a garota relatou que foi empurrada por Turra no Lago Paranoá. Sem escada para voltar à embarcação, ela pediu ajuda enquanto o ex-piloto e um amigo apenas riram, obrigando a jovem a nadar ferida até um deck.

O outro episódio brutal foi registrado formalmente como o crime de tortura e ocorreu dentro de um automóvel na região do Park Way. De acordo com o boletim policial, a jovem foi trancada no banco de trás por amigos do casal e impedida de sair pela própria namorada de Pedro, Lauanny. Na sequência, mesmo sob choros e apelos da garota, o ex-piloto passou a desferir descargas elétricas contra o corpo da vítima.

Os choques com a arma de condutividade elétrica (taser) atingiram os seios, a barriga e as pernas da adolescente em um ataque contínuo. A tortura dentro do veículo durou cerca de 10 minutos e só cessou por completo quando a bateria do aparelho descarregou por inteiro. A jovem ficou com severas dores pelo corpo, marcas físicas visíveis e foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) para fazer exame de corpo de delito.

Com base em todos os elementos colhidos, o Ministério Público entendeu que existem provas robustas e suficientes sobre a coação e pediu a aceitação da denúncia pela Justiça. Enquanto isso, o processo principal de homicídio contra Pedro Turra segue em andamento no DF, aguardando novas definições do Judiciário sobre o júri popular após o adiamento recente da audiência de instrução.

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