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Direito à vida

Mudamos o mundo ou ficamos à mercê de golpes

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior* - Foto de Arquivo/ABr

Como diria o poeta contemporâneo, viver é o ato de amar e ser feliz. Em um mundo em que diariamente somos massacrados por movimentos efetivamente do faz de conta, a vida é um eco. Se você não está gostando do que está recebendo, observe o que está emitindo. Em qualquer livro de autoajuda está escrito que a vida se encolhe ou se expande na mesma proporção de nossa coragem. A olho nu, o Planeta Terra está “derretendo”, esgotando sua capacidade de regeneração, o que, a médio e longo prazos, colocará em risco latente a magia e o poder de prover as necessidades da humanidade. Partindo do pressuposto de que a vida também deve ser entendida como uma festa, ou pensamos na união de forças ou nossos netos e os filhos destes serão obrigados a desistir de viver.

Traumático? Talvez, mas é a nossa realidade. Sem idealismo, ideologia ou simpatia partidária, temos de pensar rápido em soluções simples e eficazes em defesa da vida como bem maior, em defesa da dignidade das pessoas, da proteção dos ecossistemas e, naturalmente, da Mãe Terra, aquela que é a nossa potencial geradora. Poetizando um pouco mais, podemos dizer que a vida é cheia de decisões difíceis. Os vencedores são aqueles capazes de tomá-las a tempo. Os perdedores torcem pelo caos. Não esperemos promessas ou garantias, mas sim possibilidades e oportunidades. Não à toa, o direito à vida é o mais primordial dos direitos humanos. Por isso, ele constitui cláusula pétrea. De acordo com o ordenamento jurídico brasileiro, o direito à vida começa com a fecundação e termina quando o corpo naturalmente para de emitir sinais vitais.

Está escrito na lei divina e nos artigos 5º. e 6º. da Constituição Federal que as normas protetivas do direito à vida, à saúde, à dignidade e à felicidade abrangem os direitos de nascer, de permanecer vivo, de alcançar uma duração de vida comparável com os demais cidadãos, de não ser privado da vida por meio de pena de morte e, principalmente, de ter uma existência digna, promovendo sua subsistência. Todo homem público preocupado com as mazelas do Brasil e do mundo deveria ter entre suas principais bandeiras a constante defesa do meio ambiente e a proteção dos mananciais de água, o principal alimento para o ser humano. Observamos que, sem a participação do Poder Público, dia após dia a natureza produz apenas o suficiente para nossa carência.

Se cada um de nós tomasse o que lhe fosse necessário, não haveria pobreza no Planeta e ninguém morreria de fome. A responsabilidade social e o resguardo ambiental significam um compromisso com a vida. Ter consciência ambiental é, ao mesmo tempo, compreender que fazemos parte de todo o meio e perceber que as agressões à natureza se refletem em nossas próprias vidas. Física, espiritual ou religiosamente, somos chamados diariamente a respeitar, defender e servir à vida, especialmente a dos humanos, cujo valor é sabidamente único. Talvez, como em nenhum outro momento da história, há uma demanda reprimida em defesa da vida, pois em um passado muito recente ela esteve ameaçada por quem deveria protegê-la: o Estado.

Após quatro anos de desespero, o Brasil está em fase de recuperação política, econômica, social e, sobretudo, ambiental. O momento é de união em torno da obrigatória necessidade de recuperação da “terra arrasada”. Em lugar de incentivar a polarização, o patriotismo exagerado e a desenfreada caça ao tesouro do Erário, os representantes do Congresso Nacional poderiam se reunir para propor soluções capazes de evitar uma situação ainda mais catastrófica. Não quero – e não devo – ser o arauto do apocalipse, mas é fundamental alertar para o caminho sem volta em que o homem se embrenhou. Não podemos esperar por milagres. Ou contribuímos agora ou enfrentaremos um cenário nacional e global inimaginável.

A regra é clara: ou mudamos rapidamente o modus vivendi ou também rapidamente colocaremos em risco a biodiversidade, a segurança alimentar, a saúde humana e animal, além da própria vida. Ou mudamos a forma de fazer e de viver a política ou estaremos sempre sob a ameaça de golpes. É o caso, portanto, de nos perguntarmos: Valeu a pena termos vivido? A reflexão final é simples: a vida é como um livro. Às vezes, precisamos encerrar um capítulo e começar o seguinte. A Terra é a única coisa que todo ser humano tem em comum.

*Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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