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Sai Paulo, entra Paula

Mulher pode ser surpresa na chapa de Roberto Arruda

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José Seabra - Foto de Arquivo

As convenções partidárias transformaram o tabuleiro político do Distrito Federal em uma partida de xadrez jogada em ritmo relâmpago. O tempo corre contra os partidos, e cada movimento pode alterar o equilíbrio da disputa pelo Palácio do Buriti e pelas duas vagas ao Senado.

Nos bastidores, ganha força a informação de que grupos ligados às pré-campanhas do ex-governador José Roberto Arruda (PSD) e da deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) trabalham na construção de uma chapa consensual. A hipótese mais comentada é a de Paula assumir a candidatura a vice-governadora, enquanto o empresário Paulo Octávio passaria a concentrar sua estratégia em uma das cadeiras do Senado.

Até o momento, porém, não há confirmação pública desse entendimento por parte dos envolvidos. Oficialmente, o PSDB mantém a previsão de homologar Paula Belmonte como candidata ao Governo do Distrito Federal durante sua convenção marcada para 4 de agosto, enquanto o PSD também prepara sua convenção para definir, no próximo dia 1º,  a candidatura de Arruda.

Nos corredores da política, entretanto, a avaliação é de que conversas desse porte costumam ocorrer longe dos holofotes. Reservadamente, interlocutores afirmam que Arruda e Paula já teriam se reunido mais de uma vez para discutir cenários eleitorais, numa tentativa de unificar o campo de oposição à governadora Celina Leão (PP), que deve disputar a reeleição tendo Gustavo Rocha (Republicanos) como candidato a vice, hipótese também aguardada para ser oficializada nas convenções.

Se essa engenharia política prosperar, seus efeitos poderão ir muito além da centro-direita. O rearranjo aumentaria a pressão sobre as forças de esquerda, onde hoje coexistem os projetos de Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB). Uma composição entre ambos, vista até aqui como improvável, poderia ganhar novo impulso caso o bloco adversário apresente uma candidatura unificada com maior densidade eleitoral.

O efeito dominó seria natural, porque em disputas majoritárias, alianças costumam provocar respostas quase imediatas dos demais competidores; todos, consequentemente, passam a recalcular suas estratégias para evitar a dispersão de votos e fortalecer seus palanques.

Também entra nessa equação a disputa pelo Senado. Uma eventual candidatura de Paulo Octávio poderia reorganizar o espaço destinado aos candidatos do campo conservador e de centro, influenciando negociações com outras legendas e ampliando o alcance de uma eventual aliança.

Nada disso, contudo, está decidido. O calendário das convenções ainda permite mudanças de rumo, e a política costuma reservar reviravoltas justamente quando os acordos parecem encaminhados. Até o encerramento do prazo para homologação das chapas, negociações poderão avançar, esfriar ou até serem abandonadas.

No xadrez, vence quem consegue antecipar os movimentos do adversário. Na política, o princípio é semelhante, com a diferença fundamental onde as peças conversam, mudam de lado e, não raro, reescrevem o roteiro poucos minutos antes do lance final. É nesse clima de relógio acelerado que Brasília vive uma verdadeira partida relâmpago, em que cada mexida poderá definir não apenas quem chegará ao segundo turno, mas também quais alianças sobreviverão até outubro sem levar o xeque-mate.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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