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Entrevista/Daniel Barros

‘Mulher policial precisa da proteção do Estado’

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Autor/Imagem:
Pimenta Filho - Foto Acervo Pessoal

A violência contra a mulher não distingue profissão, renda, posição social ou uniforme. Nem mesmo aquelas que trabalham diariamente na proteção da sociedade estão livres de se tornar vítimas. É diante dessa realidade que Daniel Barros, candidato a deputado distrital pelo PT de Brasília, defende a criação e o fortalecimento de estruturas específicas para acolher mulheres policiais submetidas a situações de violência.

Em conversa com Notibras, Daniel chamou a atenção para um problema que, segundo ele, muitas vezes permanece escondido dentro das próprias corporações. São casos de policiais femininas vítimas de assédio moral ou sexual no ambiente profissional, de violência institucional ou ainda de agressões no âmbito doméstico e familiar.

Para o candidato, o fato de essas mulheres integrarem instituições responsáveis pela Segurança Pública não significa que estejam imunes à violência. Ao contrário, Daniel avalia que as características da própria atividade profissional podem criar obstáculos adicionais para quem precisa denunciar um agressor ou buscar ajuda.

Um dos principais problemas, segundo ele, é justamente o silêncio. Daniel observa que muitas policiais deixam de denunciar agressões por vergonha, constrangimento ou medo de sofrer algum tipo de retaliação dentro das instituições em que trabalham. Há ainda, acrescenta, a dificuldade de expor uma situação íntima e dolorosa diante dos próprios colegas de profissão.

Na avaliação do candidato petista, esse ambiente pode fazer com que casos graves permaneçam escondidos por muito tempo, aumentando a vulnerabilidade das vítimas. Por isso, sustenta que é necessário oferecer canais específicos, reservados e preparados para receber essas profissionais.

Daniel cita como referência o PL 1270/2024, iniciativa que, conforme explicou a Notibras, tem participação da AMPOL e foi idealizada pela agente da Polícia Civil do Distrito Federal Inara Amorim. A proposta prevê a criação dos Núcleos de Atendimento à Mulher Policial, destinados ao acolhimento de policiais femininas vítimas de diferentes formas de violência.

A intenção, segundo Daniel, é criar estruturas especializadas nas quais essas mulheres possam encontrar segurança, privacidade e atendimento adequado. Os núcleos seriam preparados para receber tanto vítimas de violência institucional quanto de violência doméstica e familiar, oferecendo suporte e encaminhamento de acordo com as necessidades de cada caso.

Para Daniel, a atuação do poder público precisa ocorrer antes que episódios de violência alcancem consequências irreversíveis.

— O Estado não pode esperar que uma tragédia aconteça para agir — afirmou a Notibras.

O candidato lembra casos como os da agente Valdéria e da soldado Gisele como exemplos que reforçam a necessidade de mecanismos capazes de identificar situações de risco e oferecer proteção às policiais. Segundo ele, cada ocorrência deve ser analisada com responsabilidade, acolhimento e respeito à vítima, sobretudo para evitar que o medo ou o constrangimento impeçam a busca por ajuda.

Caso seja eleito para a Câmara Legislativa, Daniel afirma que pretende colocar o mandato à disposição da iniciativa e trabalhar pelo fortalecimento de uma rede de proteção às mulheres integrantes das forças de Segurança Pública.

Ele considera a medida necessária e urgente e argumenta que profissionais que dedicam suas vidas à proteção da população precisam ter a garantia de que também encontrarão amparo do Estado quando estiverem em situação de vulnerabilidade.

Daniel pretende ainda ultrapassar os limites da atuação parlamentar na Câmara Legislativa e utilizar o eventual mandato como instrumento de articulação política. Segundo afirmou a Notibras, buscará diálogo com deputados federais, senadores e demais representantes do Distrito Federal para ampliar o apoio à proposta no Congresso Nacional.

Na avaliação do candidato, o enfrentamento da violência contra mulheres policiais não deve ficar condicionado a divisões partidárias ou institucionais. Trata-se, sustenta, de uma questão de proteção, dignidade e reconhecimento de uma realidade que durante muito tempo permaneceu silenciosa dentro das corporações.

Para Daniel, vestir uma farda, portar um distintivo ou enfrentar diariamente os riscos inerentes à Segurança Pública não elimina a vulnerabilidade de nenhuma mulher diante da violência. Por isso, ele resume o compromisso que pretende levar para o mandato em uma frase:

— Quem protege a sociedade também precisa saber que, quando necessitar, será protegida pelo Estado.

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