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Fuga cívica

Na eleição brasileira, a necessidade extrema faz o sapo pular

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto Editoria de Imagens/IA

Independentemente do que dizem ou venham dizer as pesquisas de opinião sobre o pleito de outubro, mantenho meu posicionamento em relação aos principais candidatos. Lembrar o que já foi ruim e triste não significa apenas remoer o passado, mas, principalmente, proteger o futuro. O atual presidente da República passou a ser meu candidato recentemente, mais precisamente após o anunciado e dantesco fiasco político, social e econômico de seu antecessor.

Até então, nunca escondi minha simpatia pelo fernandismo de FHC, embora ele também tenha deixado a desejar em seu segundo mandato.  Ainda que concorde com as considerações negativas acerca de que foge à responsabilidade, de 1998 até 2018 fiz questão de anular meu voto. Preferi não ser condescendente com aqueles que julgava sem competência para o cargo de presidente da República.

Antes que perguntem, no primeiro turno das eleições de 1989, votei em Mário Covas. Foi no segundo turno que iniciei minha fuga cívica. O tempo passou, me penitenciei e hoje repito que estou Lula da Silva por absoluta falta de referencial melhor. Defendo – e defenderei sempre – uma disputa recheada de opções de candidatos com história política, algumas boas propostas e muitas ideias renovadoras. Portanto, permaneço contra a chamada polarização

Sejam cultos, incultos, tolerantes, intolerantes, desejados ou indesejados, os eleitores brasileiros deveriam pensar e trabalhar pelo Brasil, pela igualdade social. Matar e morrer pela direita, pela esquerda ou por qualquer outro espectro político é definitivamente assumir que, na política brasileira de nossos dias, só se dá bem quem fala o que outro quer ouvir. Didaticamente, cada vez mais me convenço de que nos tornamos pessoas falsas e incapazes de viver socialmente.

Quem defende a polarização tem consciência de que está aplicando o velho truque da política: fazer o eleitor discutir o que não faz diferença nenhuma, de modo que ele nunca perceba o que realmente está acontecendo no seu entorno. Na ausência de nomes diferentes, voto no que prometer lutar pela supremacia do sistema democrático. Hoje, é Lula quem promete manter a democracia. Votar em Lula não torna ninguém petista, lulista ou comunista. Sou exemplo disso. Entretanto, não posso dizer o mesmo daqueles que idolatram publicamente os atos, a nocividade e a angústia de Jair Bolsonaro pelo poder.

Dirão que Lula também sofre do mesmo mal. Não discordo, mas lembro que a necessidade faz o sapo pular. Em outras palavras, dificuldades extremas e a possibilidade de o mal novamente se instalar forçam determinados líderes a superar limitações que normalmente não enfrentariam. Confirmando minha escolha política, afirmo que Lula pode ser adjetivado de tudo que é ruim, mas sua extensa folha de serviços prestados à nação é o que o define. Já Bolsonaro tem uma lista enorme de adjetivos pomposos e formosos, entre eles o de mito. Tudo que o endeusem, mas me digam o que ele fez para o Brasil? De ruim, certamente a lista é bem maior.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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