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Caminhos

Na tarde veloz, o Demo

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Autor/Imagem:
Gilberto Motta - Texto e Foto

“Só veja, dotô. Menos que mais e quase nada pode ser o tudo. Tava lá…no meio do redemoinho travando a guerra, a travessia, dotô”
(RIOBALDO, no Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa – 1956)

Hermógenes tem andado por aí. Nunca entendeu a razão dos pais o terem registrado como Hermógenes.

O homem anda “mais que notícia ruim”

Chega, para, observa e ouve. E nunca fala. Pensam sempre que Hermógenes seja mudo.

Pois outro dia, entre idas e vindas, o sujeito encontrou o “seu outro”: o CRAMUNHÃO.

Desde menino a mãe já dizia:

“Esse moleque é encapetado!”.

Hermógenes matava mais passarinho que formigas. E formigas também, aos montes. Tocava fogo em gato e rato. O velho bêbado da cidade, Nego Zoinho, sofria nas mãos do capetinha quando vinha batendo os pés redondos de cana feito tambor bum bum bum. O menino amarrava bombinhas na perna de Novo e acendia; e o negro zonzo disparava feito praga gritando e batendo os pés feito a maior bateria de uma escola de samba…bumbum um bumbum um…

Hermógenes era mesmo incontrolável.

E veio uma tarde de ventos e veloz. Redemoinhos variam ss ruas e o vendaval trazia a chuva.

Hermógenes se escondeu atrás do muro e então vou pela primeira vez o vulto que sempre o acompanhava.

No meio do redemoinho o corpo sem luz dançava.

E vou os olhos vermelhos da criatura e a voz em meio o vento dizendo:

“É… Chegou a tua hora. Levanta daí é vai!”

Em segundos tudo parou.

Silêncio de morte e o Sol voltou.

Hermógenes nada entendeu e pra casa foi.

Dias depois, lá veio o Nego Zoinho. Hermógenes mecanicamente pegou as bombinhas e amarrou nas pernas do vivente. E ascendeu

E num e num e num bum e bum.

Só que desta vez Zoinho não tentou correr. Rodopiou, girou, caiu e espatifou a cabeça num paralelepípedo no chão.

Hermógenes gelou. E correu “mais que notícia de coronel galhudo”.

Dias depois, a mãe de Hermógenes abriu a porta do quarto do rapaz.

Ele sentado na cama, vidrado com a Bíblia nas mãos e em silêncio.

Cinco anos depois, Hermógenes, já pastor de um grande Igreja Evangélica, expulsava demônios com porradas de Bíblia nos cornos e gritava:

“SAI, SATANÁS!’

Décadas depois, Hermógenes foi eleito deputado federal e lá está a três magistraturas.

É mesmo o demônio dentro do redemoinho de que falou Rosa.

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Gilberto Motta é escritor, jornalista, professor/pesquisador e candidato à presidência do covil dos jagunços depravados. Apoiado por Hermógenes. Só que não! Vive na Guarda do Embaú-SC.

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