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Seres complexos

Nem todo sonho é bonito…

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Autor/Imagem:
Tania Miranda - Foto Francisco Filipino

Somos seres complexos. Cada um tem sua própria visão do que seria um mundo perfeito. E tentamos, de todas as maneiras, converter tal visão em realidade. Tal premissa não é condenável. A forma que se tenta fazer valer essas vontades, é. E porque? Bem, normalmente nos tornamos extremistas, considerando apenas nossa visão como a “correta”, aquela que irá “salvar a sociedade” do abismo que acreditamos estar caindo…

Se for necessário cortar direitos de pessoas que lutaram arduamente para conquistá-los, porque não? E se contestar figuras que estão em determinada posição, incumbidas de nos passar conhecimentos que acreditamos não ser necessários, visto que a força física pode tudo resolver, por que não?

Estamos vivendo a Era da Intolerância. Não que, em algum momento, tenhamos deixado de vivenciá-la. Simplesmente estamos exacerbando tal comportamento…

Podemos alegar que antes não tínhamos tantos registros de violência não porque tais não ocorriam, mas simplesmente porque a divulgação era mais restrita, tanto pela censura nas comunicações como pela própria dificuldade em divulgar tais fatos para um número maior de pessoas, devido à própria dinâmica da época…

Mas tal não corresponde à realidade. Claro, a internet consegue espalhar notícias, sejam elas verdadeiras ou simples boatos, com uma velocidade espantosa. Porém isso não significa que tal não ocorresse a décadas passadas. Simplesmente os meios eram diferentes. A famosa “radio peão” sempre foi eficaz em divulgar informações, reais ou fictícias…

E o que isso significa, realmente? Bem, a considerar os registros históricos, a sociedade sempre viveu duas eras distintas em cada século que passou… um período de relativa calmaria seguido de momentos de turbulência social, finalizando com a explosão da violência, geral e… gratuita. Sempre alguém tentando “dominar o mundo”, fazendo valer sua visão daquilo que, segundo ele, é a forma correta de guiar a sociedade… no final, acaba por ser derrotado pelas forças contrárias, passa-se por um período de reconstrução social e a paz retorna por algum tempo… até que a Caixa de Pandora seja reaberta e os Filhos de Ares voltem a caminhar pelo mundo…

Sim estamos vivendo esse momento… a violência gratuita grita ao nosso lado. Simplesmente vivenciamos tal situação e, olha só… compactuamos com esta. Quando gritamos com nosso vizinho por algo sem importância… e o fazemos, mesmo sem perceber… estamos destilando ódio gratuito contra um semelhante. Quando tentamos pisar sobre a dignidade de alguém, por acreditarmos que este não merece nosso respeito, estamos seguindo a Cartilha escrita por alguém que será beneficiado pela Cizânia semeada por este…

A muito o Respeito pelas pessoas vem sendo questionado. Ações simples, que favoreceriam a todos, simplesmente são refutadas não porque não façam sentido, mas simplesmente porque a pessoa que expõe tais ideias não pertence ao núcleo daqueles que a contestam. Exemplo? Vamos pegar o Movimento Feminista. Nesse momento temos uma mulher trans tentando aprovar leis que protegeriam todas as mulheres… mas as participantes do Movimento a boicotam não porque a pauta não seja legítima… ela, segundo a visão destas, não é…

Outro fato que ilustra a violência gratuita em nossa Sociedade é a relação “professor-aluno”. O que mais ouvimos nos últimos tempos são relatos de ataques de um para o outro lado…

No âmbito internacional, temos um candidato a Ditador Mundial que acredita piamente ter direitos sobre todas as nações da Terra. E se baseia em suas ideias particulares, apoiado por um arsenal que considera necessário para manter a “paz mundial”… a sua visão de paz, onde ele determina quais são as regras que todos devem seguir. Afinal, ele é um ungido pela força que domina a natureza. Pelo menos, é isso que acredita…

Estamos avançando para a terceira década deste século. É quando os grandes eventos catastróficos costumam ocorrer. Estamos perto de uma nova Guerra Mundial. Porque todos estão procurando conflitos, não paz. O desejo de sentir o gosto do sangue de seu adversário é maior que a vontade de viver em harmonia com o infinito. Nas sombras, alguém mexe com os fios que controlam os movimentos das marionetes que caminham por este mundo. E a quimera que se assemelha a algo desejado por todos vai guiando esses pobres sonâmbulos por entre as brumas do pântano em que estão se embrenhando…

Quiçá consigamos acordar a tempo desse pesadelo no qual nos encontramos e possamos fugir do Reino de Gilead, que se aproxima inexoravelmente de nós…

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