Curta nossa página


Ano eleitoral em SC

Nesse pode/não pode, escritoras podem gaguejar, às vezes!

Publicado

Autor/Imagem:
Edna Domenica - Foto Divulgação

Num grupo progressista, a participante, comerciante paulistana queixou-se assim:

– Hoje ocorreu algo bem forte. Estava atendendo um casal e de repente eles falaram que eram de Santa Catarina. Não consegui mais ser simpática e passei a atendê-los secamente. Infelizmente isso ocorreu. Sinto muito pelos que residem lá e são progressistas, mas na hora a barreira se ergueu como que por instinto de sobrevivência.

A participante residente em Floripa respondeu-lhe:

– Sim, entendo esse sentimento, mas alguns brasileiros radicados em Santa Catarina fazem parte da resistência.

Começo pela lembrança da publicação de O Setênio, em Palhoça (SC). O livro relata os sete anos que vão do golpe contra a Dilma até a tentativa de golpe contra Lula/Alkmin.

Em geral, as mulheres da mesma geração da autora de O Setênio, mas que nasceram em SC, não foram para a Universidade e casaram muito cedo. Quando ficam viúvas, os filhos homens passam a dirigir suas vidas.

Em Florianópolis, as mulheres são anti-feministas, em geral.

Só as matriarcas afro descendentes furam a bolha. Elas se agrupam nos cultos. E também se organizam em grupos musicais só de mulheres.

E ainda se reúnem para a publicação de algumas coletâneas literárias, a exemplo do Grupo Retintas, do qual participa Léa Palmira e Silva que tem textos publicados também no Café Literário Notibras.

Uma instituição de resistência é a Editora Insular que tem o jornalista e escritor Nelson Rolim em sua direção e administração.
Outro vetor de resistência são as livrarias e sebos. Cito As Latinas e Desterrados.

Na política, pode-se lembrar de Antonieta de Barros, a primeira mulher a ser deputada estadual, em SC, em 1934. Foi a única mulher negra eleita até agora. Em 2023, a suplente do Padre Pedro Baldissero o substituiu por um mês, na ALESC.

Informo também que existe um professor de História que é deputado federal por SC. Pedro Francisco Uczai é do Partido dos Trabalhadores. Sua origem é Chapecó, cidade que fábrica e comercializa móveis e laticínios.

Temos também por oásis as lideranças ligadas ao PSOL como a de Marquito na ALESC e Camasão na Câmara Municipal de Florianópolis…

Essa capital cercada por florianos de todos os lados. Desde a moça eleita devido à teara nazista…

O idoso de roupas camufladas – cabo eleitoral que percorre a cidade em sua valiosa moto com pose de mito…

O empregado do condomínio que é neopentecostal e perguntou à idosa se ela não tinha vergonha de estar de maiô na piscina… O zelador que chutou o pé da mulher que usa bengala e nunca pediu desculpas… O vizinho que tentou barrar a idosa na entrada do elevador porque ela tinha um adesivo do PT colado na muleta.

Os garotos que matam cachorros…

Os policiais que… que… que…

(E escritoras que podem gaguejar, às vezes!)

………………………………………

Edna Domenica é coautora de Rapsódia da Rua da Mooca (Tão Livros, no prelo) com Eduardo Martínez, Gilberto Motta, Marlene Xavier Nobre e Rosilene Souza.

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.