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Brasília

Novo canal de irrigação alivia produtor rural

Bartô Granja, Edição

A Secretaria de Agricultura e a Emater DF entregaram nessa sexta-feira (24) a segunda etapa da obra de tubulação do Canal de Irrigação do Rio Jardim do núcleo rural Tabatinga, na região de Planaltina. A obra vai beneficiar 120 famílias em 37 propriedades, que ocupam uma área total de 1.080 hectares.

A parte entregue nesta sexta-feira tem uma extensão de seis quilômetros de tubulação. Quando o sistema estiver completo, o que deve ocorrer até o meio do ano, terá nove quilômetros de canais cobertos e atenderá a uma demanda antiga dos produtores do núcleo rural.

A tubulação deve reduzir as perdas de água com infiltração, evaporação, desperdício pelo mau uso e redução do fluxo por causa de vegetação no caminho em cerca de 70%. “É um desperdício de água que a gente não pode se dar ao luxo de ter”, diz o extensionista Lucas Máximo, gerente do escritório da Emater em Tabatinga.

Mais emprego e renda
Para o secretário de Agricultura, Dilson Resende, a obra vai disponibilizar mais água para a produção rural local, gerando mais emprego e renda. “Estamos economizando água e, com isso, disponibilizando mais água para a produção. Além disso, estamos protegendo o manancial e o rio, que começa a ter mais disponibilidade de água para outras propriedades que não são abastecidas pelo canal”, afirmou.

Dilson Resende afirmou que esse tipo de política pública traz economia, sustentabilidade e incentivo à produção. “Principalmente para aqueles produtores que utilizam essa água para a produção de alimentos, frutas, hortaliças e outros produtos agrícolas”, disse.

O diretor-executivo da Emater-DF, Antonio Dantas, afirmou que a entrega do canal demonstra como a participação da comunidade nos assuntos de seu interesse produz resultados benéficos a todos. “Esse canal é um exemplo de que não se faz nada só. É preciso um esforço coletivo e eu queria parabenizar desde a primeira gestão da associação do canal até a gestão atual, que buscaram o recurso na Câmara Legislativa e se movimentaram para a obra sair”, disse.

O vice-presidente da Associação de Usuários do Canal, José Eduardo Gonçalves de Azevedo, enfatizou que a obra é de suma importância para os produtores da região. “Primeiro, sem água você não faz nada. Segundo, o desperdício de água que a gente tinha aqui antes da tubulação era astronômica. Nós ficávamos quatro meses de seca, cinco meses, sem uma gota d’água. Essa obra é uma coisa que a gente tem de agradecer para o resto da vida”, afirmou.

O deputado distrital Claudio Abrantes também participou da entrega. Ele afirmou que viabilizou, por meio de recursos de emenda parlamentar, cerca de R$ 450 mil para a finalização do canal e disse que, se for preciso, reservará mais recursos para a conclusão do trecho final da obra.

Morador de Planaltina e ex-funcionário da escola da comunidade, Abrantes destacou o impacto do sistema para a região. “Para além dessa questão pessoal, a gente precisa otimizar os recursos hídricos do planeta e a ideia [do canal] é extremamente inteligente, é efetiva, eficiente, e quando me trouxeram esse pleito eu disse ‘olha a gente tem que abraçar’. Além de favorecer muito a agricultura, ainda reduz drasticamente as perdas por conta do canal antigo. Essa deve ser uma modelagem para todo o Distrito Federal.”

Benefícios
O gerente da Emater-DF Lucas Máximo disse que quando os últimos três quilômetros do canal forem concluídos, o potencial de irrigação deve atingir mais 120 hectares associados a uma lâmina d’água para criação de peixes de 3,2 hectares. Numa área irrigada, é possível ter até três safras, principalmente de hortifrútis, explica.

“O setor de hortifrútis, além de ter uma um valor agregado maior, possibilita maior geração de emprego e maior fixação do homem no campo, tirando a pressão do sistema público urbano, tanto de mobilidade, como de transporte, segurança e saúde e cria qualidade de vida no campo”, afirmou Máximo.

Para o produtor rural Getulio Mischlki, que planta soja, milho e feijão, o canal vai permitir que ele retome plenamente a produção agrícola em sua propriedade. Por causa da falta de água, ele chegou a ter que reduzir em até 50% o volume de sua produção e, em alguns momentos, até ficar sem plantar.

“Qual é o nosso desafio pra frente? É a água. Hoje a gente precisa produzir bem, com tecnologia e pouca água. O mundo inteiro tem de pensar em água. Não adianta a gente ter um ‘mundaréu’ de terra e não ter água para produzir”, afirmou. “A gente tem que trabalhar com duas coisas: com o braço e com a cabeça”, completa Mischlki.

Segundo o subsecretário de Desenvolvimento Rural da Secretaria de Agricultura, Odilon Vieira, a revitalização de canais segue sendo realizada em outras regiões rurais do DF. “Hoje existem quatro frentes de revitalização, sendo que duas estão tubulando os canais e outras duas, limpando os mais antigos, que estão com problemas e prejudicando o fluxo normal da água.”

De acordo com Vieira, a partir do próximo mês, com a diminuição das chuvas, a subsecretaria pretende usar as quatro frentes para o trabalho de tubulação. “O objetivo é até o fim de 2020 instalar cerca de 23 quilômetros de tubos que nós, inclusive, já temos comprados e estão no pátio da Secretaria de Agricultura”, declarou.

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