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Músicas religiosas

O altíssimo não precisa de nosso sofrimento

Publicado

Autor/Imagem:
Tania Miranda - Foto Francisco Filipino

O meu coração é só de Jesus
A minha alegria é a Santa Cruz
(versos de uma música sacra)

Já reparou que há dois tipos de música religiosa… uma que tenta colocar o Altíssimo como eterno devedor da humanidade, algo como se, ao doarmos a este parte de nossos ganhos, ele seria obrigado a nos conceder benesses… e outra que glorifica o sacrifício, como uma forma de agradar o Altíssimo e garantir um lugarzinho no Paraíso após nossa partida desse plano?

De uma forma ou de outra é como se tentássemos subornar o Criador, chantageando-o de uma ou outra maneira para conseguirmos salvar nossa alma. Ou seja, não importa o caminho por nós escolhido, a meta final é nossa estadia no Nirvana por toda a Eternidade…

Sim, eu sei que o conceito de “Nirvana” é um pouco diferente de “Paraiso”. Porque, enquanto “Paraiso” é um local que só pode ser acessado após nossa passagem deste para o outro lado, o “Nirvana” seria extinguir todos os desejos, ódios e ilusões, libertando-se do ciclo de renascimento e sofrimento. Seria alcançar a iluminação da alma ainda nessa vida. Seria alcançar a Paz…

Mas, de uma forma ou de outra, o sentido é o mesmo. Caminhos diferentes, mas semelhantes conduzem a um destino semelhante, mas diferente. De qualquer forma, o que importa é a intenção do acólito em agradar a divindade, para que possa desfrutar da alegria em permanecer em um local onde a dor e o sofrimento não fazem morada…

Até aí, tudo bem, como diria o cidadão que está em queda livre de 2.000 metros de altura, sem para quedas ou qualquer tipo de artefato de segurança. O que pega, realmente, é a forma de “adoração” ao Ser Supremo… tudo, absolutamente tudo, só acontece devido à sua graça… nada ocorre se não for a sua vontade…

Quando você “dá” ao Altíssimo seu dízimo, é como se estivesse dizendo a Este “bem, aí está sua parte, agora cumpra sua obrigação e me conceda aquilo que eu quero”… meio estranho, não é mesmo? Afinal, se Ele tudo criou, porque precisaria de seu dinheiro? Seria o mesmo que uma criança desenhar em um papel e tentar conseguir trocá-lo por bens materiais. Se bem que, a grosso modo, é isso que fazemos a todo instante…

Quando você “abraça” tua cruz e aceita passar por martírios, acreditando piamente que, após esse tipo de “provação”, seu lugar está reservado no Paraíso… bem, por que diabos você precisa ser vilipendiado nessa vida para merecer a recompensa do “descanso eterno” em um lugar onde tudo é maravilhoso, onde o mel corre pelo leito dos rios e onde o pão cresce em árvores naturalmente? Não faz nenhum sentido…

Deus existe. Isso é um fato. Mas quem disse que Ele se agrada de nosso sofrimento? Bem, eu simplesmente me recuso a acreditar em tal coisa. Sofrimento alheio só satisfaz psicopatas. E isso não combina, de maneira alguma, com Alguém Amoroso por natureza. E se Deus é Amor, Ele jamais iria desejar que fôssemos testados através da dor e do sofrimento. Porque aí não estaria nos amando. Estaria nos domesticando, para que cuidássemos de seus menores desejos, de seus caprichos. E isso, como eu já disse, não combina com um Ente Amoroso…

Não, o Senhor Onipotente jamais desejou nosso mal. Ele sempre está ao nosso lado, esperando pacientemente que vejamos a Luz que nos conduzirá rumo à Sua Casa, que é nossa, também. Ele não deseja que nos sacrifiquemos. Ele não precisa que derramemos nosso sangue em Seu Nome. Pois Ele nos criou. Pois Ele é nosso Pai, e tudo que deseja é que acordemos e abramos os olhos. E que finalmente entendamos que o Amor é a base da vida. E onde o Amor impera não há lugar para dor ou sofrimento…

Pense nisso…

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