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Vida de mentiras

O candidato que trabalha para fazer do Brasil uma nação sem ideais

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo

Radicais como os moradores e seguidores da casa do mito, os frequentadores da terrivelmente evangélica Igreja Retangular do Triângulo Redondo vivem no mundo da lua após o eclipse do 7 de setembro de 2021. Fisicamente vivem uns distantes dos outros, mas pensam e agem como uma família muito unida. Mentem e brigam por qualquer razão, principalmente pelo poder, mas só pedem perdão em época de eleição. A tese dominante entre os membros dos dois grupos lembra um famoso verso do escritor português Fernando Pessoa: Doar e golpear é preciso, democracia não é preciso.

É assim que caminha a humanidade representada pelo radicalismo da extrema-direita. São aqueles que desconhecem o funcionamento das instituições, desprezam a cultura e a ciência e não têm qualquer compromisso com a democracia. Com repertório político raso, normalmente se valem da religião para ganhar votos. Fora da religiosidade de ocasião, usam o espelho de contaminação social para se apossar de mentes cândidas, inocentes, doentes e corrompidas pela indústria do ódio.

Desde o negacionismo relativo à Covid-19, a ordem é plantar e disseminar entre os eleitores limitados e ingenuamente crédulos a idiotia criada pelas seitas evangélicas. Defensores da subordinação total dos indivíduos aos interesses do Estado e da exaltação extrema da nação, o mantra dos defensores do príncipe dos sortilégios é simples e totalitário: Para os amigos do mito, exceções, favores e a anistia irrestrita. Aos desconhecidos, inimigos e democratas, nada além do que os rigores da lei.

A menos de um mês das eleições presidenciais, embora meu lado democrata me obrigue aceitar o voto contrário, o outro lado se envergonha ao perceber que quase metade do eleitorado nacional votará em um candidato sem projetos, sem experiência de gestão pública e com um vasto e inigualável acervo de mentiras. Por exemplo, até agora a única verdade a respeito do candidato dos citados grupos é que ele é um grande e compulsivo mentiroso. É chamado mitômano por hereditariedade.

Nada pior para alguém que almeja ser presidente de um país com 213,2 milhões de habitantes. É verdade que historicamente a mentira e a lorota fazem parte do cotidiano político. O problema é quando a mentira se transforma em verdade. Para os adeptos da Igreja Retangular do Quadrado Redondo tudo é verdadeiro, desde que seja para beneficiar os que vivem da desinformação, popularmente conhecida como fake news. Em síntese, é tudo para eles. Só para eles.

Como o que está em jogo é o futuro do país, o povo brasileiro quer respostas para a verdade que o candidato diz que é mentira sobre a dinheirama liberada por Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro. Conforme relatório do Coaf, órgão que fiscaliza transações financeiras, a última parcela enviada por Vorcaro para bancar o filme foi de U$ 1,6 milhão e data de 16 de setembro de 2025. Ou seja, mais uma do mitômano, cuja vida de mentiras lembra, ainda que de longe, o filme Matou a Família e Foi ao Cinema, drama de 1969, escrito e dirigido por Júlio Bressane. O candidato não matou ninguém, mas duvido que, após o rosário de lorotas, ele não se sinta na obrigação de pedir perdão ao Pai na igreja dos lunáticos.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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