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Morada Nova

O chamado da canção perdida

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

Na quietude de Morada Nova, onde o mato exalava segredos após a chuva, vivia Clara, a poetisa da fazenda. Seu peito guardava a punhalada do amor não correspondido, um cantor errante que partiu com sua melhor letra, deixando-a com viola calada e campos florescendo em solidão.

Uma noite de lua cheia, pescando no riacho encantado, Clara fisgou não um peixe, mas uma partitura brilhante: a “Canção Perdida”, nota musical viva que pulsava como coração. “Cante-me e liberte as vozes presas”, sussurrou a nota, revelando-se guardiã das melodias traídas pelo mundo falso.

A partitura abriu um portal: Clara foi sugada pra Terra das Canções Esquecidas, um reino de nuvens musicais e rios de bolero.

Desafios da Jornada

Primeiro, o Labirinto das Falsidades Corporativas: hienas de terno e raposas com gravatas cantavam promessas vazias em reuniões eternas. “Assine o contrato da mentira!”, uivavam. Clara soprou a partitura, uma rajada de viola raiz dissolveu as ilusões, libertando pássaros-poetas que voaram como aliados.

No Pântano da Saudade Não Correspondida, sombras de amores passados (como o ex de Clara) dançavam boleros sombrios: “Distante dos olhos, eterno no peito”. Clara sentiu o punhal cutucar, mas invocou a força da roça: “Me colhe, vem!” gritou, e o pântano secou em flores de ipê, afugentando as sombras.

O clímax: o Castelo da Raposa Máscara, rainha das músicas falsas, com orquestra de trompetes hipócritas tocando “Punhal de Veludo” distorcido. “Renda tua voz genuína!”, exigiu a rainha. Clara, com Sapinho Paciente e Tartaruga Sábia (da fábula!) como escudeiros, subiu ao trono. Soprou a Canção Perdida completa, uma sinfonia de sofrência raiz que rachou as máscaras, libertando milhares de notas presas.

A raposa caiu de joelhos: “A verdade canta mais alto.”

O Triunfo e o Retorno

A Terra das Canções reviveu: boleros orquestrais dançavam nos ventos, sertanejos chiclete brotavam nos campos, fábulas rimadas viravam estrelas. Clara ganhou uma viola eterna, tecida de escamas douradas do riacho.

De volta à fazenda, sua voz ecoou pelo vale, curando corações partidos. O ex-cantor reapareceu, mas Clara sorriu: “Meu punhal virou canção e eu sou livre.”

E assim, Clara tornou-se a Guardiã das Vozes Verdadeiras, provando que a maior aventura é transformar dor em melodia imortal.

Fim da saga… por enquanto.

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