Curta nossa página


Emoções

O coração prevalece à razão…

Publicado

Autor/Imagem:
Tania Miranda - Foto Francisco Filipino

A nossa maior preocupação do dia a dia é, sem dúvida, o bem-estar. Nosso e daqueles que amamos. E fazemos tudo para que todos estejam bem. E quando digo tudo, é exatamente isso que quero dizer. Não medimos esforço para que as pessoas que gostamos estejam sempre bem. Pois esse é o nosso objetivo maior…

Como dá para perceber, somos bastante seletivas quanto a quem pode contar com nossa proteção. Mesmo em nosso círculo mais restrito, a seleção começa de forma bem rigorosa, mesmo que em um primeiro momento não tenhamos noção desse nosso comportamento…

A princípio temos uma visão humanitária, onde todos… todos merecem nossa atenção. Mas… e sempre existe um “mas”, não é mesmo? Mas se, por um motivo ou por outro, alguém mais próximo de nós precisar do abrigo de nossas asas… com certeza toda nossa convicção anterior dará lugar à proteção incondicional…

Porque você acha que, independentemente do motivo que leva uma pessoa a transgredir as normas de boa convivência, e mesmo contra todos os fatos que demonstram a culpabilidade da pessoa em questão, seus familiares a defendem com unhas e dentes? Não é o senso de justiça que está em ação naquele momento. Pelo menos não o senso de justiça comum…

É claro que vários fatores contribuem para essa situação. E, não… não importa qual o status social do grupo em questão. Claro que, se for da classe dominante, a plateia geral nem tomará conhecimento, pois as mazelas causadas pelo agente em questão serão abafadas de tal modo que é como se jamais tivesse ocorrido algo incomum naquele espaço… isso não quer dizer que alguém da base da pirâmide social não conte com a proteção dos seus… apenas não haverá tantos recursos para que se tente esconder os atos infracionais…

Aqui se faz necessário um aparte… ato infracional é um crime ou contravenção penal cometido por alguém ainda na adolescência… pelo nosso estatuto atual, menor de dezoito anos. Essa pessoa, legalmente, é inimputável. Ou seja… embora seja recolhida do convívio social, sua pena se resume a medidas socioeducativas ou de proteção… focada no caráter pedagógico e não meramente punitivo…

Bem… para a família somos sempre crianças. Mesmo que tenhamos a muito dobrado o Cabo da Boa Esperança, se nossos genitores estiverem próximos a nós, mesmo que a léguas de distância, seremos eternos bebês, merecedores de toda e qualquer proteção que possam nos dar… e isso vale para nossos descendentes… não conseguimos perceber quando aquela criança linda e carinhosa cresceu… e foi moldada pelo mundo, independentemente de todo nosso esforço para mantê-la no “bom caminho”…

E aí temos um problema… independente de nossa vontade, nossos filhos tem suas próprias convicções, nem sempre coincidentes com as nossas. Normas de conduta que impomos a eles enquanto crianças vão se perdendo por seu caminho, influenciados que são por um Universo de múltiplas escolhas. Algumas boas, outras nem tanto…

Se a pessoa em questão, a despeito de não seguir o caminho que lhes apresentamos, trilhar uma estrada aceitável socialmente, trabalhando em prol da comunidade além de viver para si mesma em virtude e retidão… bem, ganhamos a sorte grande. Felizmente esse é o caminho padrão. Mas sempre há aquele que escolhe os caminhos mais obscuros para seguir sua vida. E é aí que nossa proteção além do razoável entra em ação…

Em certas situações culpamos as vítimas de nossos rebentos pela situação que estes causaram. Não é intencional, é instintivo. Defendemos até o último suspiro a inocência de quem sabemos culpado, pelo simples fato de que este está ligado a nós emocionalmente… e essa é a força que nos faz mover mundos para acolher quem, na visão do mundo, não merece acolhimento…

Mas a nossa missão é prover o bem-estar daqueles que amamos, não é mesmo? Claro que não há amor que resista a uma avalanche de ações contra a sociedade. E, em algum momento, seremos obrigadas a aceitar a realidade e deixar que a justiça se faça presente… e então nos contentaremos a visitar quem ficou à margem da sociedade por sua própria escolha, nos dias e horários definidos para tal ação… mas em nossos corações continuaremos a defender a inocência de quem sabemos culpado, mas que o coração não permite à razão ver a realidade nua e crua que tentamos a todo custo negar…

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.