Ser ou não ser
O desconforto de Tarcísio é flagrante
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Tarcísio de Freitas está diante de uma decisão difícil e, ao contrário do que tenta demonstrar em público, não se encontra numa posição confortável. O governador de São Paulo sabe que qualquer movimento agora terá consequências profundas para seu futuro político. E o maior problema atende pelo sobrenome Bolsonaro.
Os Bolsonaros definitivamente não são confiáveis. E, mais do que isso, não confiam em ninguém que não faça parte do próprio núcleo familiar. A relação é baseada em conveniência, não em lealdade política. Hoje Tarcísio é útil; amanhã pode ser descartável. Esse é o padrão já conhecido.
No cenário mais provável, Tarcísio poderia disputar a reeleição em São Paulo e vencer com relativa tranquilidade. Nesse arranjo, Flávio Bolsonaro surgiria como o nome da direita para a Presidência da República. Mesmo que perdesse para Lula, Flávio sairia fortalecido como candidato natural em 2030, quando o adversário já não seria Lula e, portanto, teoricamente menos difícil de ser derrotado.
Mas esse roteiro tem um preço alto para Tarcísio. Ao optar pela reeleição em São Paulo, ele se afastaria da disputa presidencial por pelo menos oito anos. Oito anos é tempo demais na política. Lideranças se desgastam, o cenário muda, novos nomes surgem, alianças se desfazem. Não há garantia alguma de que, em 2030 ou 2034, ele ainda será o “plano B” da direita.
Por outro lado, candidatar-se à Presidência agora, mesmo com grande chance de derrota para Lula, é a única forma real de Tarcísio se projetar nacionalmente como alternativa no pós-Lula. Perder hoje pode significar ganhar amanhã. Uma campanha presidencial dá visibilidade, estrutura política, reconhecimento fora de São Paulo e, sobretudo, constrói um nome próprio, algo que ele ainda não tem plenamente.
No fundo, Tarcísio enfrenta um dilema clássico: segurança imediata ou aposta estratégica. Permanecer em São Paulo é confortável, mas politicamente limitador. Disputar a Presidência é arriscado, mas pode ser a única porta para se tornar, de fato, uma liderança nacional independente dos Bolsonaros.
O problema é que, enquanto hesita, os Bolsonaros jogam o próprio jogo, pensando apenas no projeto familiar de poder. E, nesse tabuleiro, Tarcísio pode acabar apenas como uma peça temporária.
Resta agora acompanhar as cenas dos próximos capítulos. Porque, desta vez, a escolha não será apenas eleitoral. Será definidora do futuro político de Tarcísio de Freitas.