Velhas lembranças
‘O dia em que fechei a ponte Honestino Guimarães’
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Nos feriados do fim do ano que findou, passei de carro na Ponte Honestino Guimarães, sobre o Lago Paranoá, em Brasília. Dei gostosa gargalhada de felicidade, ao ver que a pista central está interditada, com carros transitando apenas nas duas pistas laterais, como sugeri há 35 anos.
Falei em voz baixa para mim, dirigindo meu carrinho: “Com uma simples ideia, já salvei a vida de centenas de pessoas”.
Isso mesmo! Fui chefe de redação do Correio Braziliense na década de 80. Todo mês a gente noticiava acidentes horríveis nessa ponte, nos fins de semana, matando duas, quatro, seis pessoas, em carros que batiam de frente.
Dizia a mim mesmo: “Um dia vou fazer algo contra isso!”
Em 1991, ocupando as pastas bilionárias de Administração e Trabalho no Governo Roriz, participei de uma reunião de secretariado.
A pauta mais destacada era do Secretário de Segurança, meu grande amigo João Brochado, coronel aposentado do Exército, um grande idealista. Ele estava propondo um projeto integrado de Segurança.
Gaúcho vibrante (redundância, admito), Brochado pediu a cada secretário que apresentasse, no mês seguinte, sugestões para melhorar o trânsito em Brasília.
De noite, deitado de barriga pra cima, lembrei da Ponte Costa e Silva e dos seus mortos mensais. Pronto! Já tinha uma sugestão.
Na nova reunião de secretariado, falei da minha época de jornal, destacando a insegurança da ponte, e sugeri:
“Proponho que a pista central da Ponte Costa e Silva fique bloqueada nos sábados, domingos e feriados”.
Os outros secretários ficaram perplexos, tentando entender essa ideia maluca, mas Brochado sentenciou: “Na próxima reunião trago estudo técnico sobre isso”.
Não deu outra: semanas depois, o Detran fez testes para esse bloqueio da pista central – e nunca mudou a minha sugestão, em três décadas e meia.
Claro que Brochado não me agradeceu por ter apresentado essa solução…fiquei anônimo nesse tempo todo.
Conto essa história porque estou muito reflexivo, depois de sobreviver num ano surpreendente.
Moro em Brasília há 51 anos – e nunca havia feito um checkup, sempre me sentindo com saúde de ferro.
Em março, meu amigo Dr. Diogo Mendes marcou consulta à minha revelia, rebelde que sou. E determinou que eu fizesse, em maio, teste de esforço no Hospital do Coração.
Resultado: fui levado para a emergência e passei por uma complicada cirurgia de peito aberto, botando duas pontes de safena.
Meses depois, Dr. Diogo pediu biopsia da minha próstata, obtendo resultado preocupante. Diante disso, ele fez cirurgia robótica em mim. Estou praticamente curado.
Deus me ajudou muito nos dois casos. Hoje, aos 76 anos, devo ter saldo positivo lá em cima.
Em 2026, prometo trabalhar muito. Tenho projetos interessantes a apresentar para todos vocês. E obrigado por tudo, amigas e amigos!