Ruído e ruptura
O fim da unidade conservadora no Brasil
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O pós-Bolsonaro promete ser um período de turbulência intensa na política brasileira. A liderança centralizadora que durante anos manteve diferentes correntes da direita orbitando em torno de um mesmo nome deixará um vácuo difícil de preencher. Sem uma figura que concentre capital eleitoral, discurso e mobilização digital, o campo conservador tende a entrar em disputa aberta por protagonismo, espaço partidário e narrativa pública.
A direita, que já abriga liberais econômicos, conservadores de costumes, militares, religiosos, olavistas e pragmáticos eleitorais, poderá se fragmentar ainda mais. Esses grupos, que antes toleravam divergências em nome de um projeto comum, passarão a disputar herança política, influência sobre eleitores e controle de partidos. O resultado provável é uma sequência de conflitos internos, acusações cruzadas e tentativas de deslegitimação mútua e uma briga por identidade e liderança.
Em vez de unidade estratégica, o que se desenha é um cenário de competição feroz. Cada ala buscará se apresentar como a “verdadeira” representante dos valores que mobilizaram milhões de brasileiros nos últimos anos. O pós-Bolsonaro, portanto, não tende a ser um período de reorganização tranquila, mas sim de muito ruído, rupturas e embates públicos que poderão redefinir o mapa da direita no país.