Jogo perigoso
O homem perdeu seu dia e luta para se manter como animal indefeso
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Um dia depois do Dia Internacional da Mulher, hoje já posso contar a verdadeira história da data. Conforme os historiadores femininos, o dia 6 de março é que foi inicialmente destinado a elas. Ocorre que as moças, moçoilas e mocinhas demoraram dois dias para ficarem prontas, perfumadas, penteadas, maquiadas e lindas. Eis a razão para o adiamento. Considerando que todos os dias do ano são delas, pouco importa que seja, 6, 8 ou 9 de março. E por que nunca pensaram em um dia exclusivo para os homens?
É claro que alguém pensou. Dizem que foi um norte-americano com ascendência iraniana e com a abundância virada para o sol nascente da China. O nome do safardana ninguém jamais soube. O que todos sabem que o Dia do Homem também foi intensa e entusiasmadamente planejado. O problema é que, como de costume, a homarada, eu inclusive, esqueceu a data. Azar o nosso. Pensamos que era dia de todos os santos ou dos gatos, mas rapidamente descobrimos que, de leões indomados, hoje não passamos de dóceis bichanos da sala de estar.
Meses, anos, décadas e séculos já se foram desde que Deus criou o homem para ser somente um seguidor das mulheres. Somos igualmente feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro. Ou seja, nascemos para viver a reboque. E não temos a prerrogativa constitucional, democrática e igualitária de reclamar, pois, de acordo com a máxima dos principais pensadores do Universo, na vingança e no amor, a mulher é infinitamente mais bárbara do que o homem. Afinal, elas normalmente se distinguem pelo que nos levam a fazer. Simples assim.
De acordo com a sapiência do filósofo e historiador francês Voltaire, é mais claro do que o sol que Deus criou a mulher para domar o homem. E ponto e vírgula, sem direito a exclamação. Como faço questão de me incluir na cada vez mais diminuta lista dos machos alfas com instintos animalescos, busquei nas escrituras sagradas denominadas Assim Falou Zaratustra pelo menos uma razão capaz de justificar a subserviência masculina diante de um rabo de saia. Encontrei duas em uma só.
Perigo e jogo são as duas coisas que o verdadeiro homem sempre desejou na vida. Por isso, todos querem a mulher, reconhecidamente o jogo mais perigoso. Se alguém duvida, pare, pense e reflita sobre a tese recorrente nas mesas de botequim de periferia: Não há nada que um homem não seja capaz de fazer quando uma mulher olha para ele. Para quem perdeu o timing de sua própria data, o pior de tudo são os surtos e o que teimam em botar na cabeça dos homens. Refiro-me aos chifres, adereço que só conseguimos quando elas querem.
Besteira esse tal de chifre, pois, como afirmam os poetas do absurdo, um homem sem chifre não passa de um animal indefeso. Aliás, o parágrafo 2º. do artigo 1º. da literatura médica do século 21 revela que chifre é exatamente igual a anemia, isto é, só tem quem não come direito. De modo a se contrapor à machista, misógina e rocambolesca legislação bolsonarista, resta às mulheres inventar o chifre culposo, quando não há intenção de chifrar. Nada a ver incluir o chifre na narrativa, mas, como há espaço, não custa lembrar que o homem pode colocar mil chifres, mas se a mulher colocar um derruba os mil e ainda endoida o boi. A moral da história é simples: o homem perdeu seu dia e agora luta para se manter como animal indefeso.
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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras