O LADO B DA LITERATURA
O legado transgressor da escritora e anarquista Maria Lacerda de Moura
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Imagine uma mulher que desafiou as estruturas de poder do Brasil na primeira metade do século XX, defendendo a emancipação feminina, o anarquismo e a liberdade individual. Essa é a história da nossa retratada de hoje em O Lado B da Literatura, a escritora Maria Lacerda de Moura, uma força da natureza que nasceu em Minas Gerais em 1887, autora da obra A mulher é uma degenerada.
Maria Lacerda começou sua jornada no feminismo sufragista, mas logo rompeu com o movimento, acreditando que o voto era apenas uma concessão do Estado. Ela defendia uma revolução profunda nos costumes, na educação e no direito ao próprio corpo e ao prazer. Sua coragem e determinação a tornaram uma das vozes mais radicais da época.
A escritora introduziu conceitos revolucionários no Brasil, como o amor livre, que ela definia como o direito de amar sem a tutela opressora do casamento civil ou religioso. Em suas obras, ela rebateu teses pseudocientíficas que tentavam provar a inferioridade biológica feminina.
O nome de Maria Lacerda de Moura foi sistematicamente varrido dos manuais escolares e das antologias literárias oficiais. Como anarquista convicta, ela era uma crítica feroz do capitalismo e do autoritarismo estatal, o que a tornou um alvo fácil para a censura.
Hoje, o resgate da sua obra é fundamental para compreender as raízes do feminismo brasileiro. Editoras independentes e coletivos acadêmicos têm trabalhado para reeditar os seus textos, tirando-os do pó dos arquivos da Biblioteca Nacional.
A obra de Maria Lacerda de Moura é um lembrete de que a democracia literária deve ser constante. A valorização de autoras esquecidas é o que impede que a história seja contada apenas por uma perspectiva. O legado de Maria é um manual de resistência que continua a interpelar o presente.
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Cassiano Condé, 82, gaúcho, deixou de teclar reportagens nas redações por onde passou. Agora finca os pés nas areias da Praia do Cassino, em Rio Grande, onde extrai pérolas que se transformam em crônicas.